Questão nº 63
Questão de Direito Penal · FGV TJTO 2022 (nº 63)
FGV2022Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e AdministrativoDireito Penal
Gabarito: Ever comentário ↓
Caio, pessoa maior de 18 anos e não vulnerável, escolheu a prostituição como atividade laborativa. Determinado dia, ante a falta do pagamento ajustado com cliente pelo serviço sexual prestado, se apodera de bens a ele pertencentes, visando seu ressarcimento.
Caio deverá responder por:
- Afurto;
- Broubo;
- Capropriação indébita;
- Destelionato;
- Eexercício arbitrário das próprias razões. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
"Exercício arbitrário das próprias razões" é quando alguém tenta resolver uma dívida ou um direito que acredita ter, usando a força ou pegando algo de outra pessoa, em vez de procurar a justiça.
- A) Incorreta: Embora haja a subtração de bens, o furto exige o dolo de apossamento definitivo sem direito. No caso, a intenção de Caio é o ressarcimento de uma dívida que ele considera legítima, o que descaracteriza o furto e direciona para o crime de exercício arbitrário das próprias razões.
- B) Incorreta: O roubo exige o uso de violência ou grave ameaça à pessoa, o que não foi descrito no cenário.
- C) Incorreta: A apropriação indébita ocorre quando a pessoa já tem a posse ou detenção legítima do bem e se apropria dele. Caio não tinha a posse prévia dos bens do cliente.
- D) Incorreta: O estelionato envolve fraude, artifício ou ardil para induzir a vítima ao erro e obter vantagem ilícita. Não há menção de fraude na conduta de Caio.
- (E) Correta: Caio agiu para satisfazer uma pretensão que ele considerava legítima (o pagamento pelo serviço sexual), fazendo "justiça com as próprias mãos" ao se apoderar dos bens do cliente para ressarcimento, sem recorrer aos meios legais. Este é o exato conceito do crime de exercício arbitrário das próprias razões (Art. 345 do Código Penal). A armadilha mais tentadora é o furto (alternativa A), pois a ação de "se apoderar" lembra "subtrair". Contudo, a diferença crucial está no dolo: no furto, a intenção é de apossamento definitivo da coisa alheia sem direito; no exercício arbitrário das próprias razões, a intenção é satisfazer uma pretensão que o agente considera legítima, ainda que por meios ilícitos. A existência da dívida a ser cobrada é o elemento que afasta o furto e caracteriza este crime.
Fonte: FGV TJTO 2022 Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.