Questão nº 5

Questão de Português · FGV TJTO 2022 (nº 5)

FGV2022Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e AdministrativoPortuguês
Gabarito: Ever comentário ↓

Texto 2
Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro
(fragmento adaptado)
"Para que serve sonhar? No início do século XX esta pergunta ancestral pareceu subitamente ao alcance da Razão, com a publicação de 'A interpretação dos sonhos'. Neste livro Freud fundou uma nova e ambiciosa psicologia, repleta de novas ideias sobre a mente humana e seus sonhos. A despeito do impacto profundo destas ideias na sociedade ocidental, sua formulação e desenvolvimento não se deram sobre uma base empírica e quantitativa, marcando um divórcio progressivo de método e discurso entre a psicanálise e a biologia. Como resultado, pouca ou nenhuma influência é atualmente atribuída a Freud no que diz respeito à investigação científica do fenômeno onírico.
O fosso não poderia ser mais profundo. Predomina nas ciências exatas a noção de que a contribuição da psicanálise para o entendimento dos sonhos resume-se a um amontoado de observações isoladas, teorias não testáveis, imperativos ideológicos e argumentos de autoridade. Por outro lado, as diferentes vertentes da psicanálise ocupam-se pouco ou nada do estudo experimental e quantitativo dos sonhos, voltando-se exclusivamente para os símbolos e jamais para seu substrato material, o sistema nervoso.
Na contramão deste divórcio, pretendo aqui demonstrar que os avanços da psicologia experimental e da neurociência convergiram nos últimos anos para dois importantes insights psicanalíticos. O primeiro consiste na observação concreta de que os sonhos, muito frequentemente, contêm elementos da experiência do dia anterior, denominados 'restos do dia'. O segundo é o reconhecimento de que estes 'restos' incluem atividades mnemônicas e cognitivas da vigília, persistindo nos sonhos na medida de sua importância para o sonhador. Assim, ainda que de maneira difusa, a psicanálise prevê que a consolidação de memórias e o aprendizado sejam importantes funções oníricas. [...]"
(Sidarta Ribeiro. Disponível em: http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462003000600013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02/04/2022)


É comum que os textos sejam classificados de acordo com o domínio social de comunicação em que se inserem.
Por esse critério, é correto afirmar que o texto 2 tem natureza predominantemente:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Um texto argumentativo busca convencer o leitor sobre um determinado ponto de vista, apresentando argumentos e evidências para sustentá-lo. Já um texto expositivo tem como objetivo principal apresentar informações e conhecimentos sobre um tema, sem a intenção direta de persuadir.

(A) Incorreta: O texto não se limita a descrever os sonhos, mas usa essa descrição como ponto de partida para defender uma tese.
(B) Incorreta: Não há uma sequência de fatos narrados em ordem cronológica; o foco é a discussão de ideias.
(C) Incorreta: Embora mencione a interpretação psicanalítica, o texto não se propõe a ensinar como fazê-la, mas sim a discutir a relação entre psicanálise e neurociência. A armadilha aqui é pensar que, por falar de psicanálise, o texto seria expositivo sobre ela. Mas o objetivo é outro.
(D) Incorreta: O texto não dá ordens ou instruções diretas para o leitor agir de determinada forma.
(E) Correta: O autor defende a ideia de que a neurociência e a psicologia experimental convergiram para insights psicanalíticos, contrapondo-se à visão de um divórcio entre as áreas. Ele apresenta argumentos para sustentar essa convergência e a importância da psicanálise.

Fonte: FGV TJTO 2022 Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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