Questão nº 8

Questão de Português · FGV TJTO 2022 (nº 8)

FGV2022Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e AdministrativoPortuguês
Gabarito: Ever comentário ↓

Texto 2
Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro
(fragmento adaptado)
"Para que serve sonhar? No início do século XX esta pergunta ancestral pareceu subitamente ao alcance da Razão, com a publicação de 'A interpretação dos sonhos'. Neste livro Freud fundou uma nova e ambiciosa psicologia, repleta de novas ideias sobre a mente humana e seus sonhos. A despeito do impacto profundo destas ideias na sociedade ocidental, sua formulação e desenvolvimento não se deram sobre uma base empírica e quantitativa, marcando um divórcio progressivo de método e discurso entre a psicanálise e a biologia. Como resultado, pouca ou nenhuma influência é atualmente atribuída a Freud no que diz respeito à investigação científica do fenômeno onírico.
O fosso não poderia ser mais profundo. Predomina nas ciências exatas a noção de que a contribuição da psicanálise para o entendimento dos sonhos resume-se a um amontoado de observações isoladas, teorias não testáveis, imperativos ideológicos e argumentos de autoridade. Por outro lado, as diferentes vertentes da psicanálise ocupam-se pouco ou nada do estudo experimental e quantitativo dos sonhos, voltando-se exclusivamente para os símbolos e jamais para seu substrato material, o sistema nervoso.
Na contramão deste divórcio, pretendo aqui demonstrar que os avanços da psicologia experimental e da neurociência convergiram nos últimos anos para dois importantes insights psicanalíticos. O primeiro consiste na observação concreta de que os sonhos, muito frequentemente, contêm elementos da experiência do dia anterior, denominados 'restos do dia'. O segundo é o reconhecimento de que estes 'restos' incluem atividades mnemônicas e cognitivas da vigília, persistindo nos sonhos na medida de sua importância para o sonhador. Assim, ainda que de maneira difusa, a psicanálise prevê que a consolidação de memórias e o aprendizado sejam importantes funções oníricas. [...]"
(Sidarta Ribeiro. Disponível em: http://old.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462003000600013&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 02/04/2022)


"A despeito do impacto profundo destas ideias na sociedade ocidental, sua formulação e desenvolvimento não se deram sobre uma base empírica e quantitativa, marcando um divórcio progressivo de método e discurso entre a psicanálise e a biologia."
Essa passagem foi retirada do primeiro parágrafo do texto 2. Sua reescritura sem perda do significado original e sem desvio em relação à norma padrão do português é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Reescrever uma frase mantendo o sentido original e a norma padrão do português significa que a nova versão deve transmitir a mesma mensagem sem erros de gramática, pontuação ou vocabulário. É preciso atenção às conjunções (que ligam as ideias) e à pontuação (que organiza a frase).

  • (A) Incorreta: A expressão "Além do" altera o sentido de concessão para adição. Além disso, há uma vírgula incorreta separando o sujeito ("sua formulação e desenvolvimento") do verbo ("não se deram") e um ponto e vírgula inadequado no final.
  • (B) Incorreta: Embora "Mesmo com" mantenha o sentido de concessão, há uma vírgula incorreta separando o sujeito ("sua formulação e desenvolvimento") do verbo ("não se deram") e um ponto e vírgula inadequado no final.
  • (C) Incorreta: A vírgula antes do "e" em "método, e discurso" é desnecessária, pois os termos estão coordenados e não há ênfase ou inversão. O ponto e vírgula no final também está incorreto.
  • (D) Incorreta: A separação da oração reduzida de gerúndio ("Marcando assim...") por um ponto final a transforma em um fragmento de frase, quebrando a coesão com a oração principal. O ponto e vírgula no final também está incorreto.
  • (E) Correta: A expressão "não obstante" é um sinônimo perfeito de "a despeito de", mantendo o sentido de concessão. A vírgula após "sociedade ocidental" isola corretamente a oração intercalada. A substituição da oração reduzida de gerúndio ("marcando um divórcio") por "fato que marcou um divórcio" é gramaticalmente correta e mantém o sentido de consequência, aderindo plenamente à norma padrão.

Fonte: FGV TJTO 2022 Técnico Judiciário - Apoio Judiciário e Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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