Questão nº 99

Questão de Direito Processual Penal · FGV TJAL 2018 (nº 99)

FGV2018Técnico Judiciário - Área JudiciáriaDireito Processual Penal
Gabarito: Cver comentário ↓

Lucas caminhava pela rua, por volta de 7 horas, quando foi abordado por Pedro, que, mediante grave ameaça com emprego de simulacro de arma de fogo, subtraiu seu aparelho celular. Em seguida, Pedro entregou o simulacro de arma de fogo para seu irmão, que coincidentemente passava pela localidade, e pediu para que ele guardasse o objeto em sua residência. Diante disso, o irmão de Pedro guardou o simulacro em sua casa e depois foi para o trabalho. Por outro lado, ainda pouco tempo após o crime, policiais militares passaram pela localidade, de modo que Lucas apontou para Pedro como o autor do fato. Os policiais abordaram Pedro e realizaram busca em seu corpo, vindo a ser localizado o celular subtraído. Chegando na Delegacia, ao tomar conhecimento dos fatos, o Delegado determina que os policiais compareçam à residência do irmão de Pedro para apreender o instrumento do crime, o que efetivamente fazem os agentes da lei por volta de 16 horas.
Considerando apenas a situação narrada, é correto afirmar que a busca:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A busca pessoal (revista) é a inspeção do corpo e roupas de uma pessoa, que pode ser feita sem mandado judicial se houver fundada suspeita de que ela esconde algo ilícito. Já a busca domiciliar (na casa de alguém) exige, via de regra, um mandado judicial para ser realizada, a menos que haja situações excepcionais como flagrante delito, desastre, para prestar socorro, ou durante o dia por determinação judicial.

  • A) Incorreta: A busca pessoal em Pedro foi válida, mas a busca domiciliar na casa do irmão exigia mandado judicial, pois não havia situação de flagrante delito na residência que justificasse a entrada sem autorização judicial.
  • B) Incorreta: A busca pessoal em Pedro foi válida, pois havia fundada suspeita (apontamento da vítima), não dependendo de mandado judicial (Art. 244 do CPP).
  • (C) Correta: A busca pessoal em Pedro foi válida, independentemente de mandado, pois a indicação imediata da vítima configura a fundada suspeita exigida pelo Art. 244 do Código de Processo Penal. Já a busca na residência do irmão foi inválida porque, para apreender o simulacro (instrumento do crime), seria necessário um mandado de busca e apreensão (Art. 240, §1º, "d", do CPP), uma vez que não se configurava nenhuma das exceções constitucionais que permitem a entrada em domicílio sem mandado (Art. 5º, XI, da CF), como o flagrante delito. A armadilha aqui é pensar que a ocultação do simulacro pelo irmão configuraria um flagrante delito que autorizaria a entrada sem mandado, o que não é o caso, pois o crime de roubo já havia se consumado e o irmão apenas guardava o objeto, sem estar em flagrante delito dentro da residência.
  • D) Incorreta: A busca domiciliar na casa do irmão era inválida por depender de mandado judicial, e a busca pessoal em Pedro foi válida.
  • E) Incorreta: A busca domiciliar foi inválida por depender de mandado judicial, e não por ter sido realizada em período noturno (foi às 16h, período diurno). Além disso, a premissa de que prescindiria de mandado está incorreta.

Fonte: FGV TJAL 2018 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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