Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FGV TJAL 2018 (nº 4)

FGV2018Técnico Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

TEXTO - Ressentimento e Covardia

Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.

No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história.

Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.

Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade.

(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)


“Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas...”; o segmento destacado mostra um vocábulo que, se trocado de posição, traz mudança de sentido e de classe gramatical. O mesmo pode ocorrer no seguinte segmento:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A posição de uma palavra, especialmente um adjetivo, pode alterar tanto o seu sentido quanto a sua classe gramatical em português. Isso ocorre quando a palavra tem a capacidade de funcionar como adjetivo e como substantivo, ou quando sua posição muda a nuance de tal forma que a classificação se altera.

(A) Incorreta: Em "pobre homem" (homem infeliz, coitado), "pobre" é um adjetivo. Em "homem pobre" (homem sem dinheiro), "pobre" continua sendo um adjetivo. Há uma mudança de sentido, mas não de classe gramatical.
(B) Correta: Em "barbeiro turco", "barbeiro" é um substantivo (a profissão) e "turco" é um adjetivo (nacionalidade). O sentido é "um barbeiro que é da Turquia". Se trocarmos a ordem para "turco barbeiro", "turco" passa a ser um substantivo (uma pessoa da Turquia) e "barbeiro" passa a ser um adjetivo com o sentido de "desastrado", "incompetente" (ex: "aquele motorista é um barbeiro"). Houve mudança de sentido e de classe gramatical para ambas as palavras.
(C) Incorreta: Em "grande sujeito" (sujeito importante, notável), "grande" é um adjetivo. Em "sujeito grande" (sujeito de estatura alta), "grande" continua sendo um adjetivo. Há uma mudança de sentido, mas não de classe gramatical. A armadilha aqui é que a mudança de sentido é bem clara, mas a classe gramatical permanece a mesma.
(D) Incorreta: Em "bom livro" e "livro bom", "bom" é um adjetivo em ambos os casos, e o sentido é praticamente o mesmo (um livro de boa qualidade). Não há mudança de sentido nem de classe gramatical significativa.
(E) Incorreta: Em "variado cardápio" e "cardápio variado", "variado" é um adjetivo em ambos os casos, e o sentido é o mesmo (um cardápio com muitas opções). Não há mudança de sentido nem de classe gramatical.

Fonte: FGV TJAL 2018 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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