Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJAL 2018 (nº 3)
TEXTO - Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história.
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade.
(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)
“Tenho comentado aqui na Folha”; o tempo verbal destacado nesse segmento inicial do texto indica uma ação que:
- Ase iniciou e terminou no passado;
- Bmostra início indeterminado e continuidade no presente; (alternativa correta)
- Cindica repetição sem determinação de tempo;
- Dse iniciou no passado e termina no presente;
- Ese localiza antes de outra ação também passada.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O pretérito perfeito composto (formado pelo verbo auxiliar "ter" ou "haver" no presente do indicativo, seguido do particípio do verbo principal) é usado para indicar uma ação que começou no passado e se estende ou se repete até o presente, ou cujos efeitos ainda são percebidos no momento da fala.
- (A) Incorreta: Esta descrição se refere ao pretérito perfeito simples ("comentei") ou a outras formas do passado que indicam uma ação já finalizada antes do presente.
- (B) Correta: O verbo "tenho comentado" expressa que a ação de comentar começou em um momento não especificado do passado (início indeterminado) e tem se repetido ou continuado até o presente momento, mantendo uma relação com o agora.
- (C) Incorreta: Embora o pretérito perfeito composto possa indicar repetição, esta alternativa é incompleta por não mencionar a continuidade ou a relação com o presente, que é uma característica essencial desse tempo verbal. A repetição não é "sem determinação de tempo" no sentido de ser completamente desvinculada do presente.
- (D) Incorreta: A ação não "termina no presente"; ela continua até o presente ou no presente, com a possibilidade de prosseguir. Dizer que "termina no presente" sugere um ponto final agora, o que não é o sentido de "tenho comentado", que implica uma ação ainda em curso ou com efeitos atuais.
- (E) Incorreta: Esta descrição corresponde ao pretérito mais-que-perfeito ("tinha comentado" ou "comentara"), que indica uma ação passada anterior a outra ação também passada.
Fonte: FGV TJAL 2018 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.