Questão nº 81
Questão de Auditoria Governamental · FGV TCU 2021 (nº 81)
No desenvolvimento de um trabalho de asseguração sobre as demonstrações contábeis de uma instituição pública, a equipe realizou o processo de identificação e avaliação dos riscos de distorção relevante do contexto auditado.
Em relação ao processo de avaliação e resposta aos riscos de distorção relevante, é correto afirmar que:
- Ao risco de auditoria é estabelecido em função do risco inerente, do risco de controle e do risco de detecção; (alternativa correta)
- Bo risco de auditoria, por guardar relação com os riscos do objeto que está sendo auditado, não está sob o controle da equipe de auditoria;
- Ccaso a equipe de auditoria, na avaliação de um risco, conclua que o controle interno é muito forte, o risco de controle poderá ser estabelecido como 100%;
- Dcaso a equipe julgue que no contexto avaliado os controles são fortes, os procedimentos de auditoria a serem realizados devem focar na aplicação de testes de controle, em detrimento dos testes substantivos;
- Ecaso a avaliação da equipe de auditoria sobre um risco específico indique baixa magnitude do risco, deve ser aumentada a extensão dos testes substantivos a serem aplicados, de forma a garantir a asseguração pretendida.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O risco de auditoria é a chance de o auditor dar uma opinião de que as demonstrações contábeis estão corretas, quando na verdade elas contêm erros ou fraudes importantes (distorções relevantes). Para gerenciar esse risco, o auditor avalia três componentes principais.
(A) Correta: O risco de auditoria é a combinação do risco inerente (a chance de erro ou fraude existir, sem considerar os controles internos), do risco de controle (a chance de os controles internos da entidade não prevenirem ou detectarem o erro/fraude) e do risco de detecção (a chance de os procedimentos do auditor não encontrarem o erro/fraude que já existe e não foi impedido pelos controles). A relação é geralmente expressa como .
(B) Incorreta: O risco de auditoria total é gerenciado e controlado pela equipe de auditoria. Embora o risco inerente e o risco de controle sejam riscos da entidade auditada e não estejam sob o controle direto do auditor, o risco de detecção é diretamente controlado pelo auditor, que ajusta a extensão e a natureza dos seus procedimentos para alcançar o nível aceitável de risco de auditoria. A armadilha aqui é confundir os riscos da entidade (inerente e de controle) com o risco de auditoria como um todo, que inclui o risco de detecção, este sim, sob controle do auditor.
(C) Incorreta: Se o controle interno é muito forte, significa que a chance de ele falhar em prevenir ou detectar distorções é baixa. Portanto, o risco de controle seria estabelecido como baixo (por exemplo, 10% ou 20%), e não 100%. Um risco de controle de 100% indicaria que os controles são totalmente ineficazes ou inexistentes.
(D) Incorreta: Se os controles são fortes e o auditor pretende confiar neles, ele deve realizar testes de controle para confirmar sua eficácia. Se os testes de controle confirmarem que os controles são eficazes, o auditor poderá reduzir a extensão dos testes substantivos. No entanto, a afirmação de que os procedimentos devem focar nos testes de controle "em detrimento" dos testes substantivos é forte demais, pois algum nível de teste substantivo é sempre necessário, e não se pode simplesmente abandonar os testes substantivos em favor dos testes de controle.
(E) Incorreta: Se a avaliação de um risco específico indica baixa magnitude (ou seja, baixo risco inerente e de controle), isso significa que a chance de distorção relevante é menor. Nesses casos, o auditor pode aceitar um risco de detecção maior (ou seja, realizar menos testes substantivos) para manter o risco de auditoria geral em um nível aceitavelmente baixo. Aumentar a extensão dos testes substantivos seria necessário se a magnitude do risco fosse alta.
Fonte: FGV TCU 2021 Auditor Federal de Controle Externo - Área Controle Externo (AUFC-CE) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.