Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · FGV TCU 2021 (nº 10)
Há dois textos de temática semelhante a seguir.
Texto 1 – “Um mestre (Jesus) em que parece haver tanta autoridade, ainda que sua doutrina seja obscura, merece que seja crido por palavra... pode-se reconhecer sua autoridade, tendo em vista o respeito que lhe rendem Moisés e Elias; isto é, a lei e os profetas, como já expliquei... Não procuremos as razões das verdades que ele nos ensina: toda a razão, é que ele as falou.”
Texto 2 – “Certas pessoas têm fé porque seus pais os ensinaram a crer. Num sentido, é satisfatório: nenhum axioma filosófico abalará essa fé; num outro sentido, é insatisfatório, porque sua fé não vem de conhecimento pessoal. Outros chegam à fé pela convicção após estudos. Isso é satisfatório num ponto: eles conhecem Deus por íntima convicção; por outro lado, é insatisfatório porque se outros lhes demonstram a falsidade de seu raciocínio, eles podem tornar-se descrentes.”
Comparando os dois textos, é correto afirmar que:
- Ao texto 2 contraria o posicionamento do texto 1 em relação ao argumento de autoridade, pois só reconhece essa autoridade por meio de relações pessoais, e não pela fé;
- Bos dois textos contrariam a validade absoluta dos argumentos de autoridade, pois podem ser desacreditados por demonstrações de sua pouca força;
- Co texto 1 condiciona a validade do argumento de autoridade desde que essa autoridade se tenha manifestado por meio de documentos;
- Dos dois textos afirmam a validade absoluta dos argumentos de autoridade, desde que bem embasados;
- Eo texto 2 mostra o perigo do argumento de autoridade e o risco do livre exame. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O argumento de autoridade é uma forma de sustentar uma ideia ou afirmação baseando-se na credibilidade ou conhecimento de uma pessoa, instituição ou fonte reconhecida como especialista no assunto.
- (A) Incorreta: O texto 2 não "só reconhece" a autoridade por relações pessoais; ele descreve a fé vinda de pais (uma forma de autoridade) e também a fé vinda de estudos pessoais, e ambas são analisadas criticamente. Além disso, a comparação com o texto 1 não se limita a essa forma de reconhecimento.
- (B) Incorreta: O texto 1 não contraria a validade absoluta do argumento de autoridade; pelo contrário, ele a afirma categoricamente ao dizer que a única razão para crer é que a autoridade falou.
- (C) Incorreta: O texto 1 não condiciona a validade à manifestação por documentos. Ele afirma que a autoridade de Jesus é suficiente por si só ("toda a razão, é que ele as falou") e é reconhecida pelo respeito de figuras como Moisés e Elias, não necessariamente por documentos escritos.
- (D) Incorreta: O texto 2 não afirma a validade absoluta dos argumentos de autoridade. Ele aponta as limitações e riscos de diferentes formas de adquirir fé, incluindo a baseada em autoridade e a baseada em raciocínio pessoal.
- (E) Correta: O texto 2 aponta o "insatisfatório" da fé vinda dos pais (argumento de autoridade) por não vir de "conhecimento pessoal", indicando um perigo ou limitação. E, ao falar da fé por "convicção após estudos" (livre exame), ele menciona o risco de se tornar descrente se a falsidade do raciocínio for demonstrada, evidenciando o perigo do livre exame quando confrontado.
Fonte: FGV TCU 2021 Auditor Federal de Controle Externo - Área Controle Externo (AUFC-CE) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.