Questão nº 32
Questão de Direito Administrativo · FGV TCE-PI 2021 (nº 32)
O Estado do Piauí, sob a égide da Lei nº 8.666/1993, após regular processo licitatório, celebrou com a sociedade empresária Beta contrato administrativo, no qual constaram cláusulas disciplinando a prerrogativa da Administração Pública contratante de alteração unilateral do acordo e a possibilidade de aplicação de penalidades contratuais.
Trata-se de cláusulas:
- Aabusivas, que viciam o contrato, eis que geram desequilíbrio entre as partes contratantes;
- Babusivas, que viciam o contrato, eis que ferem o princípio da isonomia entre as partes contratantes;
- Cexorbitantes, que viciam o contrato, pois ferem o equilíbrio econômico e financeiro entre as partes contratantes;
- Dexorbitantes, que não viciam o contrato e decorrem da supremacia do interesse público sobre o privado; (alternativa correta)
- Eabusivas, que não viciam o contrato, desde que o contratante ofereça garantia para manutenção do equilíbrio econômico e financeiro do contrato.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Cláusulas exorbitantes são poderes especiais que a Administração Pública tem nos contratos administrativos, que não existem em contratos comuns entre particulares. Elas servem para garantir que o interesse de toda a sociedade (o interesse público) seja sempre priorizado.
- (A) Incorreta: Não são cláusulas abusivas; são prerrogativas legais da Administração Pública, previstas em lei, e não viciam o contrato.
- (B) Incorreta: Não são abusivas e, embora criem uma diferença de tratamento, isso é justificado pela supremacia do interesse público, não ferindo a isonomia de forma a invalidar o contrato.
- (C) Incorreta: Embora sejam exorbitantes, elas não viciam o contrato. A lei exige que, ao exercer essas prerrogativas, a Administração preserve o equilíbrio econômico-financeiro do contrato, ou seja, compense o contratado por eventuais perdas. A armadilha aqui é confundir a existência da cláusula (que é legal) com a sua aplicação (que deve respeitar o equilíbrio). A cláusula em si não fere o equilíbrio, mas a sua aplicação deve ser feita de modo a mantê-lo.
- (D) Correta: São cláusulas exorbitantes, pois conferem à Administração Pública prerrogativas que não se encontram em contratos privados. Elas são válidas, não viciam o contrato e são um reflexo direto do princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, que é a base do Direito Administrativo.
- (E) Incorreta: Não são abusivas. A manutenção do equilíbrio econômico-financeiro é uma obrigação da Administração, mas a validade das cláusulas exorbitantes não depende de uma garantia prévia específica do contratante.
Fonte: FGV TCE-PI 2021 Auditor de Controle Externo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.