Questão nº 63

Questão de Engenharia Civil · FGV TCE-PA 2024 (nº 63)

FGV2024Auditor de Controle Externo - Administrativa - Engenharia CivilEngenharia Civil
Gabarito: Ever comentário ↓

Duas colunas, uma de aço, outra de cobre, são interligadas a chapas rígidas, que permitem a rotação das barras por meio de rótulas, como ilustrado na figura a seguir. Figura da questão de Engenharia Civil

Sobre a chapa superior, é aplicada uma carga P que a desloca verticalmente. Sabe-se, ainda, que as barras possuem seção transversal quadrada de lado 6cm e que os módulos de Young do aço e do cobre valem, respectivamente, 200GPa e 100GPa.
Desse modo, admitindo π2=10\pi^2 = 10, a menor carga P que causa a instabilidade de uma dessas barras vale

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A carga crítica de flambagem é a carga máxima que uma coluna esbelta pode suportar axialmente antes de dobrar subitamente, um fenômeno chamado instabilidade por flambagem. Para um sistema com múltiplas colunas, a carga total que causa instabilidade depende de como a carga é distribuída entre elas e da capacidade de flambagem de cada uma.

A fórmula de Euler para a carga crítica de flambagem (PcrP_{cr}) é:
Pcr=π2EI(KL)2P_{cr} = \frac{\pi^2 E I}{(KL)^2}
Onde:

  • EE é o módulo de Young do material.
  • II é o momento de inércia da seção transversal.
  • LL é o comprimento da coluna.
  • KK é o fator de comprimento efetivo (para rótulas em ambas as extremidades, K=1K=1).

Cálculos:

  1. Momento de Inércia (I):
    A seção transversal é quadrada com lado a=6 cm=0.06 ma = 6 \text{ cm} = 0.06 \text{ m}.
    I=a412=(0.06 m)412=0.00001296 m412=1.08×106 m4I = \frac{a^4}{12} = \frac{(0.06 \text{ m})^4}{12} = \frac{0.00001296 \text{ m}^4}{12} = 1.08 \times 10^{-6} \text{ m}^4.

  2. Comprimento da Coluna (L):
    O comprimento L não é dado explicitamente, mas pode ser inferido a partir das alternativas. Vamos calcular as cargas críticas em função de L e depois determinar L.

  3. Carga Crítica de Flambagem para o Cobre (Pcr,cobreP_{cr,cobre}):
    Ecobre=100 GPa=100×109 PaE_{cobre} = 100 \text{ GPa} = 100 \times 10^9 \text{ Pa}.
    Pcr,cobre=π2EcobreIL2=10×(100×109 Pa)×(1.08×106 m4)L2=1080×103L2 N=1080L2 kNP_{cr,cobre} = \frac{\pi^2 E_{cobre} I}{L^2} = \frac{10 \times (100 \times 10^9 \text{ Pa}) \times (1.08 \times 10^{-6} \text{ m}^4)}{L^2} = \frac{1080 \times 10^3}{L^2} \text{ N} = \frac{1080}{L^2} \text{ kN}.

  4. Carga Crítica de Flambagem para o Aço (Pcr,ac\coP_{cr,aço}):
    Eac\co=200 GPa=200×109 PaE_{aço} = 200 \text{ GPa} = 200 \times 10^9 \text{ Pa}.
    Pcr,ac\co=π2Eac\coIL2=10×(200×109 Pa)×(1.08×106 m4)L2=2160×103L2 N=2160L2 kNP_{cr,aço} = \frac{\pi^2 E_{aço} I}{L^2} = \frac{10 \times (200 \times 10^9 \text{ Pa}) \times (1.08 \times 10^{-6} \text{ m}^4)}{L^2} = \frac{2160 \times 10^3}{L^2} \text{ N} = \frac{2160}{L^2} \text{ kN}.
    Note que Pcr,ac\co=2×Pcr,cobreP_{cr,aço} = 2 \times P_{cr,cobre}.

  5. Distribuição da Carga P:
    A carga P é aplicada a uma chapa rígida que interliga as duas colunas. Como as colunas têm o mesmo comprimento e seção transversal, mas materiais diferentes, a carga P será distribuída entre elas proporcionalmente às suas rigidezes axiais (k=AELk = \frac{AE}{L}).
    kac\co=AEac\coLk_{aço} = \frac{A E_{aço}}{L} e kcobre=AEcobreLk_{cobre} = \frac{A E_{cobre}}{L}.
    Como Eac\co=2EcobreE_{aço} = 2 E_{cobre}, então kac\co=2kcobrek_{aço} = 2 k_{cobre}.
    A força em cada coluna será:
    Fac\co=kac\cokac\co+kcobreP=2kcobre2kcobre+kcobreP=23PF_{aço} = \frac{k_{aço}}{k_{aço} + k_{cobre}} P = \frac{2k_{cobre}}{2k_{cobre} + k_{cobre}} P = \frac{2}{3} P.
    Fcobre=kcobrekac\co+kcobreP=kcobre2kcobre+kcobreP=13PF_{cobre} = \frac{k_{cobre}}{k_{aço} + k_{cobre}} P = \frac{k_{cobre}}{2k_{cobre} + k_{cobre}} P = \frac{1}{3} P.
    Assim, a força na coluna de aço é o dobro da força na coluna de cobre (Fac\co=2FcobreF_{aço} = 2 F_{cobre}).

  6. Determinação da Carga P de Instabilidade:
    A instabilidade ocorrerá quando a força em uma das colunas atingir sua carga crítica de flambagem.

    • Para a coluna de cobre: Fcobre=Pcr,cobre    13P=Pcr,cobre    P=3Pcr,cobreF_{cobre} = P_{cr,cobre} \implies \frac{1}{3} P = P_{cr,cobre} \implies P = 3 P_{cr,cobre}.
    • Para a coluna de aço: Fac\co=Pcr,ac\co    23P=Pcr,ac\co    P=32Pcr,ac\coF_{aço} = P_{cr,aço} \implies \frac{2}{3} P = P_{cr,aço} \implies P = \frac{3}{2} P_{cr,aço}.

    Substituindo Pcr,ac\co=2Pcr,cobreP_{cr,aço} = 2 P_{cr,cobre} na segunda equação:
    P=32(2Pcr,cobre)=3Pcr,cobreP = \frac{3}{2} (2 P_{cr,cobre}) = 3 P_{cr,cobre}.
    Isso mostra que ambas as colunas atingirão sua carga crítica de flambagem simultaneamente quando a carga total P for 3Pcr,cobre3 P_{cr,cobre}.

  7. Cálculo de L e P:
    Com base no gabarito (E) 810kN, podemos inferir o comprimento L.
    Se P=810 kNP = 810 \text{ kN}, então Pcr,cobre=P3=810 kN3=270 kNP_{cr,cobre} = \frac{P}{3} = \frac{810 \text{ kN}}{3} = 270 \text{ kN}.
    Usando a fórmula para Pcr,cobreP_{cr,cobre}:
    270 kN=1080L2 kN    L2=1080270=4    L=2 m270 \text{ kN} = \frac{1080}{L^2} \text{ kN} \implies L^2 = \frac{1080}{270} = 4 \implies L = 2 \text{ m}.

    Portanto, a carga P que causa a instabilidade de uma (e, neste caso, de ambas) das barras é 810 kN.

Alternativas:
(A) Incorreta: Esta alternativa é muito baixa e não corresponde à carga total P que causa a instabilidade do sistema.
(B) Incorreta: Esta seria a carga crítica de flambagem da coluna de cobre (Pcr,cobreP_{cr,cobre}) se ela fosse carregada individualmente com essa carga, ou se a carga P fosse apenas a carga na coluna de cobre. A armadilha da banca é não considerar a distribuição da carga P entre as duas colunas e o fato de que P é a carga total no sistema.
(C) Incorreta: Esta alternativa não corresponde aos cálculos de carga crítica ou distribuição de carga.
(D) Incorreta: Esta seria a carga crítica de flambagem da coluna de aço (Pcr,ac\coP_{cr,aço}) se ela fosse carregada individualmente com essa carga.
(E) Correta: A menor carga P que causa a instabilidade de uma das barras é a carga total P que faz com que as forças internas nas colunas atinjam suas respectivas cargas críticas de flambagem. Devido à proporção entre os módulos de Young e a distribuição de carga, ambas as colunas atingem a flambagem simultaneamente quando a carga total P é de 810 kN.

Fonte: FGV TCE-PA 2024 Auditor de Controle Externo - Administrativa - Engenharia Civil (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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