Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FGV PMS 2019 (nº 7)
“A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são sintomas de um mal maior que afeta a sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo nossa natural propensão a nos divertirmos”.
No texto há cinco termos precedidos da preposição de; assinale a opção em que os dois termos destacados desempenham a mesma função.
- Adas artes / de um mal maior.
- Bda literatura / do jornalismo.
- Cdas artes / do jornalismo.
- Dda política / da literatura.
- Ede um mal maior / da política. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Preposição é a palavra invariável que liga dois termos, estabelecendo uma relação de sentido entre eles. A função sintática do termo que vem depois da preposição (o complemento) é que define se duas ocorrências de “de” são equivalentes: se ambos são complementos nominais (com sentido de “alvo” ou “sobre o quê”), a função é a mesma; se um é adjunto adnominal (posse ou característica) e o outro é complemento, a função é diferente.
- (A) Incorreta: “das artes” é adjunto adnominal (a banalização das artes = a banalização que recai sobre as artes, mas aqui indica posse/qualidade do substantivo “banalização”); “de um mal maior” é complemento nominal (sintomas de um mal = sintomas que se referem a esse mal). Funções diferentes.
- (B) Incorreta: “da literatura” é adjunto adnominal (banalização da literatura); “do jornalismo” é adjunto adnominal (triunfo do jornalismo = o jornalismo triunfa). Ambos são adjuntos, mas a banca considera que “triunfo do jornalismo” é um adjunto com valor de posse subjetiva (o jornalismo triunfa), enquanto “banalização da literatura” é posse objetiva (a literatura é banalizada). A pegadinha: parecem iguais, mas a relação semântica é diferente (quem pratica a ação vs. quem sofre a ação).
- (C) Incorreta: “das artes” é adjunto adnominal (posse objetiva); “do jornalismo” é adjunto adnominal (posse subjetiva). Mesma classificação sintática, mas a banca exige a mesma função em sentido amplo (papel semântico), e aqui um é paciente e o outro é agente.
- (D) Incorreta: “da política” é adjunto adnominal (frivolidade da política = a política é frívola); “da literatura” é adjunto adnominal (banalização da literatura). Novamente, ambos são adjuntos, mas com papéis semânticos distintos (qualidade vs. objeto da ação).
- (E) Correta: “de um mal maior” é complemento nominal (sintomas de um mal = sintomas que apontam para esse mal, completando o sentido de “sintomas”); “da política” é complemento nominal (frivolidade da política = frivolidade que se refere à política, completando o sentido de “frivolidade”). Ambos são complementos nominais, pois o termo preposicionado é paciente (recebe a ação expressa pelo substantivo abstrato), e não agente/possuidor. A armadilha da banca: em “frivolidade da política”, muitos alunos leem como “a política é frívola” (adjunto), mas o substantivo “frivolidade” exige complemento (frivolidade de quê?), assim como “sintomas” exige complemento (sintomas de quê?). A função é idêntica: ambos completam o sentido de um substantivo abstrato, indicando o alvo da ação.
Fonte: FGV PMS 2019 Conhecimentos Comuns (Professores PMS 2019) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.