Questão nº 44

Questão de Organização do Ministério Público · FGV MPRJ 2025 (nº 44)

FGV2025Analista do Ministério Público - Área ProcessualOrganização do Ministério Público
Gabarito: Dver comentário ↓

Analisando os autos de um procedimento administrativo que documentou a contratação, pelo Município, do fornecimento de bens, João, Promotor de Justiça designado para atuar na única Promotoria de Justiça existente naquela cidade do Estado do Rio de Janeiro, identificou indícios robustos de fraude à licitação perpetrada pelo Prefeito.
Diante disso, João determinou à Secretaria da Promotoria de Justiça a remessa de cópia de tal procedimento administrativo municipal ao Procurador-Geral de Justiça, sob o fundamento de que a ele incumbiria instaurar e presidir o procedimento de investigação criminal em casos como esse.
Assim agindo, o Promotor de Justiça

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

No Ministério Público, a atribuição para investigar e processar autoridades com foro por prerrogativa de função (como Prefeitos) é definida por lei, e muitas vezes recai sobre o Procurador-Geral de Justiça, e não sobre um Promotor de Justiça de primeira instância.

(A) Incorreta: A atuação do Procurador-Geral de Justiça neste caso não seria apenas administrativa, mas sim investigatória e, eventualmente, acusatória, dada a natureza criminal dos indícios.
(B) Incorreta: Esta é a armadilha da banca. Embora o Promotor de Justiça tenha, em regra, essas atribuições, a presença de um Prefeito como investigado altera a competência. João não descumpriu a norma; ele agiu corretamente ao reconhecer que a atribuição para investigar Prefeitos, em muitos estados, é do Procurador-Geral de Justiça, em razão do foro por prerrogativa de função.
(C) Incorreta: A fraude à licitação é um crime comum, não um ilícito eleitoral. A função eleitoral do Ministério Público se refere a crimes e irregularidades relacionadas ao processo eleitoral.
(D) Correta: João agiu corretamente ao entender que a atribuição para apurar a infração penal imputada ao Prefeito, em razão do foro por prerrogativa de função, seria do Procurador-Geral de Justiça, que é o chefe do Ministério Público e o órgão com atribuição para atuar perante o Tribunal de Justiça em casos de crimes comuns praticados por Prefeitos.
(E) Incorreta: Ao remeter o caso ao Procurador-Geral de Justiça, João está, na verdade, respeitando o princípio do promotor natural, pois reconhece que o Procurador-Geral de Justiça é o órgão do Ministério Público legalmente atribuído para atuar em casos envolvendo Prefeitos, e não ele próprio.

Fonte: FGV MPRJ 2025 Analista do Ministério Público - Área Processual (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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