Questão nº 14

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 14)

FGV2012Comum Técnico ILíngua Portuguesa
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A Nova Praga

Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.

Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.

(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)


O bom Aires via (....) como ninguém os crimes cometidos contra o idioma”.
Assinale que apresenta a forma de reescrever‐se essa mesma frase que altera o seu sentido original.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é a equivalência de sentido, que se refere à capacidade de reescrever uma frase usando palavras ou estruturas diferentes, mantendo o significado original intacto. Uma alteração de sentido ocorre quando a nova frase transmite uma ideia diferente da original.

  • (A) Incorreta: Esta frase altera o sentido original. "Mais do que todos" sugere que Aires via um número maior de crimes, ou seja, uma quantidade superior, e não a qualidade ou a acuidade de sua percepção, que é o que "como ninguém" enfatiza no texto original.
  • (B) Correta: Esta é a alternativa que altera o sentido original. A expressão "como todos" significa "assim como as outras pessoas" ou "de forma comum", o que contradiz diretamente a ideia de singularidade e excelência transmitida por "como ninguém" na frase original. A armadilha aqui é a inversão completa da ideia de exclusividade para a de generalidade.
  • (C) Incorreta: Esta frase mantém o sentido original. Apenas a ordem das palavras foi alterada, mas a expressão "como ninguém" continua a indicar a percepção única e superior de Aires.
  • (D) Incorreta: Esta frase mantém o sentido original. É uma reescrita na voz passiva ("eram vistos... pelo bom Aires"), mas a expressão "como ninguém" continua a qualificar a maneira excepcional como Aires via os crimes.
  • (E) Incorreta: Esta frase mantém o sentido original. Ela reforça a ideia de que a percepção de Aires era incomparável, ou seja, que ninguém mais via os crimes contra o idioma da mesma forma ou com a mesma acuidade que ele.

Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Técnico I). Reproduzida para fins de estudo.

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