Questão nº 16
Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 16)
Os textos II e III referem-se à entrevista concedida pelo especialista J. Noailles (CEBRID – UNIFESP), sobre o tema das drogas.
A repressão não seria uma forma mais simples de diminuir o problema das drogas?
É necessário tratar a questão de forma equilibrada, ou seja, reduzindo tanto a oferta por parte do traficante (mediante a repressão) quanto a procura por parte do usuário (mediante a prevenção). Uma repressão efetiva deve atingir a economia do crime organizado transnacional, ou seja, aquelas especiais associações delinquentes que não obedecem a limitações de fronteiras. Quanto à prevenção, ela é fundamental, pois envolve qualquer atividade voltada para a diminuição da procura da droga. Da mesma maneira, é muito importante que haja uma diminuição dos prejuízos relacionados ao uso de drogas.
A pergunta que serve de introdução ao texto mostra uma forma verbal no futuro do pretérito do indicativo: "seria". Essa forma verbal indica
- Auma maneira educada de dialogar com o próximo.
- Bum fato ocorrido no passado.
- Cuma possibilidade a ser considerada. (alternativa correta)
- Dum fato futuro dependente de uma condição.
- Euma referência a uma possível dúvida do interlocutor.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O futuro do pretérito (como "seria", "faria", "poderia") tem dois usos principais: indicar um fato futuro dependente de uma condição (ex.: "Eu iria se pudesse") e expressar polidez ou incerteza em perguntas ou afirmações. Na pergunta do texto, "A repressão não seria uma forma mais simples...?" não há uma condição explícita ("se..."), mas sim uma hipótese levantada de forma cortês e especulativa — o entrevistador não afirma que a repressão é simples, apenas sugere uma possibilidade para o especialista considerar. Por isso, a banca entende que o valor semântico é de possibilidade a ser considerada, e não de condicionalidade dura.
- (A) Incorreta: Embora o futuro do pretérito seja usado para polidez (ex.: "Você poderia me ajudar?"), aqui a função não é apenas "dialogar educadamente", mas sim levantar uma hipótese sobre a eficácia da repressão — a polidez é consequência, não o valor semântico central.
- (B) Incorreta: O futuro do pretérito não indica passado; ele expressa um fato posterior a um momento passado ou uma hipótese — jamais um fato ocorrido e concluído.
- (C) Correta: A pergunta "não seria...?" apresenta a repressão como uma ideia especulativa, uma possibilidade que o entrevistador submete à avaliação do especialista — exatamente o valor de hipótese/possibilidade do futuro do pretérito.
- (D) Incorreta: Esta é a pegadinha clássica da banca. O futuro do pretérito pode indicar condição (ex.: "Eu compraria se tivesse dinheiro"), mas na frase do texto não há oração condicional explícita (não há "se", "caso", "desde que"). A banca quer ver se o aluno confunde o uso geral do tempo verbal com o uso específico no contexto — aqui, sem condição, o valor é de mera possibilidade.
- (E) Incorreta: A dúvida é do entrevistador, não do interlocutor (o especialista). Além disso, o futuro do pretérito não marca "dúvida do outro", mas sim incerteza ou hipótese de quem fala.
Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Analista). Reproduzida para fins de estudo.