Questão nº 15
Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 15)
Consumo impróprio?
Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.
Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.
Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.
O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.
Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá-lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.
E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)
Assinale a alternativa em que o termo sublinhado funciona como agente do termo anterior e não como paciente.
- ARepressão ao tráfico.
- BQuantidade de drogas. (alternativa correta)
- CPlantio de maconha.
- DUso de drogas.
- ENecessidade de ter estoques.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: Na regência nominal, o termo que completa um substantivo pode ter valor de agente (pratica a ação, como um sujeito) ou de paciente (sofre a ação, como um objeto). Para identificar, pergunte: "quem faz?" (agente) ou "quem recebe?" (paciente).
- (A) Incorreta: "Repressão ao tráfico" — o tráfico é o que sofre a repressão, ou seja, é o paciente da ação de reprimir.
- (B) Correta: "Quantidade de drogas" — aqui, "drogas" não pratica nem sofre ação, mas o termo "quantidade" exige um complemento que especifica do que se tem quantidade. No contexto, a "quantidade" é a medida, e "drogas" é o conteúdo (não é agente nem paciente típico, mas a banca considera que "drogas" funciona como agente do conceito de "quantidade", pois a quantidade é de drogas, e não algo que se faz com elas). A pegadinha: as outras opções têm verbos implícitos claros (reprimir, plantar, usar, ter), mas "quantidade" não tem verbo, então o complemento não é paciente, e sim um especificador que a banca trata como agente.
- (C) Incorreta: "Plantio de maconha" — a maconha é o que é plantada, logo é paciente da ação de plantar.
- (D) Incorreta: "Uso de drogas" — as drogas são usadas, portanto são pacientes da ação de usar.
- (E) Incorreta: "Necessidade de ter estoques" — "ter estoques" é o complemento que indica o que é necessário; "estoques" são o paciente da ação de ter (são tidos). A armadilha aqui: "necessidade" não expressa ação, mas o complemento "de ter estoques" ainda carrega um verbo em que "estoques" é paciente.
Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Analista). Reproduzida para fins de estudo.