Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 2)

FGV2012Comum AnalistaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Consumo impróprio?

Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.

A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.

Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.

Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.

O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.

Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá-lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.

E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.

Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?

(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)


"Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil".
A forma de reescrever esse parágrafo do texto que altera o seu sentido original é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: Reescrita semântica exige que a posição dos advérbios (como "provavelmente") não mude o escopo da afirmação. No original, "provavelmente" explica o motivo da inexistência ("não existe, provavelmente porque seria inútil"). Se você move o advérbio para perto do verbo "existe", muda o sentido: agora a dúvida recai sobre a existência do levantamento, não sobre a causa.

  • (A) Incorreta: Mantém o sentido original: "provavelmente" continua ligado à causa ("porque seria inútil"), apenas inverte a ordem das orações, sem alterar o significado.
  • (B) Correta: Aqui, "provavelmente" passa a modificar o verbo "existe" ("Provavelmente não existe"), criando dúvida sobre a existência do levantamento. No original, a dúvida é sobre a utilidade do levantamento ("provavelmente porque seria inútil"). A banca troca o alvo da incerteza: de "inutilidade" para "existência".
  • (C) Incorreta: "Talvez" é sinônimo de "provavelmente" e mantém a mesma estrutura: a dúvida continua sobre a causa ("talvez porque seria inútil"), preservando o sentido.
  • (D) Incorreta: Reorganiza a frase, mas mantém "provavelmente porque seria inútil" intacto, ou seja, a incerteza permanece sobre a causa, como no original.
  • (E) Incorreta: "Talvez porque seria inútil" preserva o escopo original (a causa da inexistência), apenas troca "não existe" por "não há", que são equivalentes.

Armadilha da banca: A pegadinha está em mover o advérbio sem perceber que ele muda de "alvo". Na letra B, "provavelmente" deixa de explicar a razão ("porque seria inútil") e passa a duvidar da própria existência do levantamento. É uma mudança sutil de escopo lógico, não apenas de ordem das palavras.

Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Analista). Reproduzida para fins de estudo.

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