Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 14)
Consumo impróprio?
Não existe, provavelmente porque seria inútil, um levantamento sobre formas e maneiras de combater o tráfico e o uso de drogas no Brasil.
A proposta mais recente, que deve ser votada pelo Congresso em fevereiro, tem defensores e críticos. Se transformada em lei, criará a internação compulsória em comunidades terapêuticas para quem for apanhado com drogas. Alguns adversários acham que é castigo excessivo; os que a defendem sustentam que é isso mesmo que a sociedade deseja, mas não há provas disso. O principal problema parece ser a dificuldade de distinguir entre viciados e traficantes.
Uma especialista da ONU, Ilona Szabo, lembra que a quantidade de drogas em poder do cidadão não prova coisa alguma: apenas cria para o traficante a necessidade de ter estoques do produto escondidos e só levar consigo pequenas quantidades de cada vez. Nada mais simples.
Os números da repressão são pouco animadores. Uma pesquisa recente mostrou que, num período de um ano e meio, 66% dos presos com drogas eram réus primários, e quase metade carregava menos de cem gramas de maconha. Ou seja, a repressão está concentrada na arraia-miúda.
O outro lado do combate ao vício, que é a recuperação dos viciados, poderá ganhar impulso se o Congresso aprovar, em fevereiro, um projeto que cria comunidades terapêuticas e estabelece internação obrigatória para desintoxicação.
Nos debates sobre o tema, a questão mais complexa parece ser a distinção entre o vício e o crime – e certamente o grande risco é tratar o viciado como traficante – o que pode acabar por levá-lo mesmo para o tráfico. O projeto que está no Congresso talvez corra o risco de transformar usuários em bandidos.
E há outras propostas curiosas. Um anteprojeto produzido por uma comissão de juristas, por exemplo, sugere a descriminalização do plantio de maconha para uso próprio.
Se vingar, vai criar um trabalhão para a polícia: como garantir que o uso próprio, na calada da noite, não se transforma em consumo impróprio?
(Luiz Garcia, O Globo, 28/12/2012)
Assinale a alternativa que mostra um vocábulo do texto formado sem a ajuda de um prefixo.
- ADescriminalização.
- BImpróprio.
- CAnteprojeto.
- DDesintoxicação.
- EInternação. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Prefixo é um afixo que vem antes do radical para formar uma nova palavra (ex.: in- em "impróprio", des- em "descriminalização"). Palavras formadas por sufixação (afixo depois do radical) ou por derivação regressiva não usam prefixo.
- (A) Incorreta: "Descriminalização" tem o prefixo des- (ideia de negação/ação contrária) + radical "criminal" + sufixo -ização.
- (B) Incorreta: "Impróprio" tem o prefixo im- (variação de in-, negação) + radical "próprio". Armadilha da banca: o prefixo im- é "invisível" para quem não lembra que ele se adapta antes de "p" ou "b", então parece palavra sem prefixo.
- (C) Incorreta: "Anteprojeto" tem o prefixo ante- (ideia de anterioridade) + radical "projeto".
- (D) Incorreta: "Desintoxicação" tem o prefixo des- (ação contrária) + radical "tóxic" + sufixos -a-ção.
- (E) Correta: "Internação" é formada por sufixação: radical "intern-" (do verbo internar) + sufixo -ção (que forma substantivo de ação). Não há prefixo antes do radical.
Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Analista). Reproduzida para fins de estudo.