Questão nº 30
Questão de Legislação Institucional · FGV DPGE-RJ 2014 (nº 30)
FGV2014Comum Técnico Superior EspecializadoLegislação Institucional
Gabarito: Cver comentário ↓
A Defensoria Pública ingressou com ação em face do Município do Rio de Janeiro para garantir o acesso do assistido a medicamentos. Em sendo vitorioso, o Defensor Público, no tocante às verbas de sucumbência, deverá
- Aabster-se de executá-las, tendo em vista que a Defensoria Pública ocupa posição equivalente à de secretaria de Estado.
- Babster-se de executá-las, tendo em vista que é vedado ao Defensor Público receber verbas de sucumbência em razão de suas atribuições.
- Cexecutá-las, tendo em vista que as verbas de sucumbência são devidas por quaisquer entes públicos. (alternativa correta)
- Dexecutá-las, quando for comprovada a omissão dolosa por parte do Município.
- Eabster-se de executá-las, tendo em vista a ocorrência do instituto da confusão, por se tratar de entes públicos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Os honorários de sucumbência são valores que a parte perdedora em um processo judicial paga ao advogado da parte vencedora, e no caso da Defensoria Pública, esses valores são devidos à própria instituição para fortalecer sua atuação.
- (A) Incorreta: A Defensoria Pública possui autonomia administrativa, funcional e orçamentária, não sendo equivalente a uma mera secretaria de Estado, o que afasta a ideia de que não poderia receber honorários.
- (B) Incorreta: Não é vedado à Defensoria Pública receber verbas de sucumbência; pelo contrário, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou o entendimento de que esses honorários são devidos à instituição. A vedação seria para o defensor individual recebê-los como ganho pessoal.
- (C) Correta: O STF consolidou o entendimento de que a Defensoria Pública tem direito aos honorários de sucumbência, mesmo quando a parte perdedora é um ente público (como o Município), visando fortalecer a autonomia da instituição.
- (D) Incorreta: O direito aos honorários de sucumbência decorre da derrota processual da parte adversa, independentemente de haver comprovação de omissão dolosa por parte do Município.
- (E) Incorreta: A Defensoria Pública, apesar de ser um órgão público, possui autonomia e não se confunde com o ente federativo que a mantém (o Município, neste caso), o que afasta a aplicação do instituto da confusão. A armadilha aqui é que, embora ambos sejam entes públicos, a autonomia institucional da Defensoria Pública impede que devedor e credor sejam considerados a mesma pessoa jurídica para fins de sucumbência.
Fonte: FGV DPGE-RJ 2014 Conhecimentos Comuns (Técnico Superior Especializado) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.