Questão nº 8

Questão de Português · FGV DPGE-RJ 2014 (nº 8)

FGV2014Comum Técnico Superior EspecializadoPortuguês
Gabarito: Dver comentário ↓

XÓPIS

Não foram os americanos que inventaram o shopping center. Seus antecedentes diretos são as galerias de comércio de Leeds, na Inglaterra, e as passagens de Paris pelas quais flanava, encantado, o Walter Benjamin. Ou, se você quiser ir mais longe, os bazares do Oriente. Mas foram os americanos que aperfeiçoaram a ideia de cidades fechadas e controladas, à prova de poluição, pedintes, automóveis, variações climáticas e todos os outros inconvenientes da rua. Cidades só de calçadas, onde nunca chove, neva ou venta, dedicadas exclusivamente às compras e ao lazer – enfim, pequenos (ou enormes) templos de consumo e conforto. Os xópis são civilizações à parte, cuja existência e o sucesso dependem, acima de tudo, de não serem invadidas pelos males da rua.

Dentro dos xópis você pode lamentar a padronização de lojas e grifes, que são as mesmas em todos, e a sensação de estar num ambiente artificial, longe do mundo real, mas não pode deixar de reconhecer que, se a americanização do planeta teve seu lado bom, foi a criação desses bazares modernos, estes centros de conveniência com que o Primeiro Mundo – ou pelo menos uma ilusão de Primeiro Mundo – se espraia pelo mundo todo. Os xópis não são exclusivos, qualquer um pode entrar num xópi nem que seja só para fugir do calor ou flanar entre as suas vitrines, mas a apreensão causada por essas manifestações de massa nas suas calçadas protegidas, os rolezinhos, soa como privilégio ameaçado. De um jeito ou de outro, a invasão planejada de xópis tem algo de dessacralização. É a rua se infiltrando no falso Primeiro Mundo. A perigosa rua, que vai acabar estragando a ilusão.

As invasões podem ser passageiras ou podem descambar para violência e saques. Você pode considerar que elas são contra tudo que os templos de consumo representam ou pode vê-las como o ataque de outra civilização à parte, a da irmandade da internet, à civilização dos xópis. No caso seria o choque de duas potências parecidas, na medida em que as duas pertencem a um primeiro mundo de mentira que não tem muito a ver com a nossa realidade. O difícil seria escolher para qual das duas torcer. Eu ficaria com a mentira dos xópis.

(Veríssimo, O Globo, 26-01-2014.)


A forma "xópi" representa

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A forma "xópi" é um exemplo de aportuguesamento fonético, onde uma palavra estrangeira é adaptada na escrita para refletir a maneira como é pronunciada pelos falantes da língua portuguesa.

  • A) Incorreta: "Xópi" não é uma forma gráfica autorizada ou oficial; a palavra "shopping" (como estrangeirismo) é a forma comum e aceita.
  • B) Incorreta: "Xópi" não é uma tradução literal; é uma adaptação sonora da palavra inglesa "shopping".
  • C) Incorreta: Embora seja uma tentativa de grafar a pronúncia, esta alternativa é menos precisa que a correta, pois não especifica o caráter "popular" dessa pronúncia. A armadilha da banca aqui é oferecer uma opção parcialmente verdadeira, mas incompleta.
  • D) Correta: "Xópi" representa a forma como a maioria dos falantes de português, de maneira informal e espontânea, pronuncia a palavra inglesa "shopping", adaptando os sons estrangeiros à fonologia da língua portuguesa.
  • E) Incorreta: Uma adaptação "culta" buscaria manter a grafia original ou seguir regras mais formais; "xópi" é uma adaptação popular e informal.

Fonte: FGV DPGE-RJ 2014 Conhecimentos Comuns (Técnico Superior Especializado) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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