Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FGV ALE-RO 2018 (nº 11)

FGV2018Comum Analista Legislativo ALE-RO 2018Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Observação

Vivemos tão apressados que estamos perdendo a habilidade de observar detalhadamente o que nos cerca. Por outro lado, somos tão bombardeados por imagens e por estímulos visuais que, para nos proteger do excesso, aprendemos a não perceber o que está em volta, aprendemos a nos proteger. Por isso, a propaganda fica cada vez mais agressiva. Os produtos precisam, a qualquer custo, chamar a atenção do possível comprador, até que sejamos capazes de “ver sem olhar”. Ou seja, mesmo sem estarmos interessados, não podemos escapar de perceber uma imagem de propaganda.

Isso nos tem levado à autoproteção ou a uma atitude passiva, já que não é preciso fazer nenhum esforço, pois a propaganda e as imagens se encarregam de nos invadir.

Entretanto, para apreciar a arte e saber ler imagens, uma primeira habilidade que precisamos renovar, estimular e desenvolver é a observação. Ela deve deixar de ser passiva para tornar-se ativa, voluntária: observo o que quero, porque quero, como quero, da forma que quero, quando quero observar.

Se pedirmos a um amigo que descreva alguém, ele pode dizer genericamente: alto, magro, de meia-idade: ou então ser bem específico: tem aproximadamente 1 metro e oitenta, é magro, está vestido com uma calça azul, camisa branca, tênis, jaqueta de couro marrom, tem cabelos escuros, encaracolados, curtos, olhos azuis, usa costeletas, tem um sinal escuro do lado direito do rosto e cerca de 40 anos.

Essa segunda descrição é mais detalhada e demonstra mais observação. Naturalmente, se eu estiver procurando tal pessoa, a partir dessa descrição detalhada, posso encontrá-la com mais facilidade.

OLIVEIRA, J. e GARCEZ, L. Explicando a Arte. Ed. Nova Fronteira. 2001.


O penúltimo parágrafo do texto traz exemplos de textos descritivos. A característica determinante desse modo de organização textual é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Descrição é o modo de organização textual que inventaria características, qualidades e dados observáveis de um ser, objeto ou cena, sem contar uma história nem defender uma opinião. O foco está em "pintar com palavras" o que os sentidos captam.

  • (A) Incorreta: Fornecer informações é comum a todos os textos (até uma receita informa); a descrição se define por como informa: enumerando aspectos sensoriais e objetivos do que é descrito, não qualquer dado.
  • (B) Incorreta: A descrição objetiva (como a do exemplo) apresenta um único ponto de vista — o do observador que relata o que vê — e não discute opiniões divergentes.
  • (C) Incorreta: Relato em sucessão cronológica é a marca da narração (com começo, meio e fim); a descrição é atemporal, pois congela o objeto no espaço, não no tempo.
  • (D) Incorreta: Convencer o leitor é a finalidade da argumentação (com tese e estratégias de persuasão); a descrição apenas mostra, não defende ponto de vista.
  • (E) Correta: A descrição se caracteriza por indicar dados de um objetivo — ou seja, levantar informações concretas e verificáveis sobre o alvo da observação (altura, cor, vestuário, idade), como no exemplo do amigo. A pegadinha da banca está em (A): "fornecer informações" parece certo, mas é vago demais — o que diferencia a descrição é o tipo específico de informação (dados objetivos do que se observa), não qualquer informação.

Fonte: FGV ALE-RO 2018 Conhecimentos Comuns (Analista Legislativo ALE-RO 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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