Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FGV ALE-RO 2018 (nº 2)

FGV2018Comum Analista Legislativo ALE-RO 2018Língua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Observação

Vivemos tão apressados que estamos perdendo a habilidade de observar detalhadamente o que nos cerca. Por outro lado, somos tão bombardeados por imagens e por estímulos visuais que, para nos proteger do excesso, aprendemos a não perceber o que está em volta, aprendemos a nos proteger. Por isso, a propaganda fica cada vez mais agressiva. Os produtos precisam, a qualquer custo, chamar a atenção do possível comprador, até que sejamos capazes de “ver sem olhar”. Ou seja, mesmo sem estarmos interessados, não podemos escapar de perceber uma imagem de propaganda.

Isso nos tem levado à autoproteção ou a uma atitude passiva, já que não é preciso fazer nenhum esforço, pois a propaganda e as imagens se encarregam de nos invadir.

Entretanto, para apreciar a arte e saber ler imagens, uma primeira habilidade que precisamos renovar, estimular e desenvolver é a observação. Ela deve deixar de ser passiva para tornar-se ativa, voluntária: observo o que quero, porque quero, como quero, da forma que quero, quando quero observar.

Se pedirmos a um amigo que descreva alguém, ele pode dizer genericamente: alto, magro, de meia-idade: ou então ser bem específico: tem aproximadamente 1 metro e oitenta, é magro, está vestido com uma calça azul, camisa branca, tênis, jaqueta de couro marrom, tem cabelos escuros, encaracolados, curtos, olhos azuis, usa costeletas, tem um sinal escuro do lado direito do rosto e cerca de 40 anos.

Essa segunda descrição é mais detalhada e demonstra mais observação. Naturalmente, se eu estiver procurando tal pessoa, a partir dessa descrição detalhada, posso encontrá-la com mais facilidade.

OLIVEIRA, J. e GARCEZ, L. Explicando a Arte. Ed. Nova Fronteira. 2001.


Em todas as opções a seguir foram sublinhadas orações. Indique aquela que tem seu valor semântico corretamente indicado.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: Orações subordinadas adverbiais funcionam como um “adjunto adverbial” da oração principal: elas indicam circunstância (tempo, causa, consequência, condição, etc.). Para não errar, pergunte: “essa oração responde a qual pergunta?”. Se a principal tem “tão/tanto” + a subordinada começa com “que”, o valor é consequência (o “tão” anuncia o excesso que gera o resultado).

  • (A) Correta: “que estamos perdendo a habilidade” é consequência de “vivemos tão apressados” — o “tão” exige um “que” consecutivo (estrutura fixa: tão… que).
  • (B) Incorreta: “para nos protegermos do excesso” indica finalidade (para quê?), não explicação. A banca tenta confundir com “porque”, mas “para” é a preposição típica de finalidade.
  • (C) Incorreta: “Por isso a propaganda fica cada vez mais agressiva” é uma oração coordenada conclusiva (iniciada por “por isso”), não uma subordinada adverbial. Além disso, o valor é conclusão, não explicação.
  • (D) Incorreta: “até que sejamos capazes” indica tempo (limite temporal: “até quando?”), não proporção. A pegadinha é achar que “até” sugere progressão, mas aqui marca o ponto final de um processo.
  • (E) Incorreta: “mesmo sem estarmos interessados” expressa concessão (contraste: “apesar de não estarmos interessados”), não causa. A armadilha é confundir “mesmo sem” com “porque não”, mas o sentido é de oposição, não de motivo.

Fonte: FGV ALE-RO 2018 Conhecimentos Comuns (Analista Legislativo ALE-RO 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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