Questão nº 15
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT7 2024 (nº 15)
O direito natural é aquele que a natureza mesma determina a todos os homens. Educastes vossos filhos, ele vos deve respeito como seu pai, reconhecimento como seu benfeitor. Tendes direito sobre a terra que cultivastes com vossas próprias mãos.
O direito humano só pode ser fundado no direito da natureza, e o grande princípio, o princípio universal de um e outro, é em toda terra: "Não faças o que não gostarias que te fizessem".
Contentam-se alguns, noutras terras, em afirmar: "Crê em mim, ou eu te odiarei: crê, ou te farei todo o mal que eu puder. Monstro, não tens a minha religião, então não tens religião nenhuma."
O direito da intolerância é, então, absurdo e bárbaro: é o direito dos tigres, sendo no entanto bem pior, pois os tigres só se dilaceram por comida, e nós nos exterminamos por parágrafos.
(Adaptado de: VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância. Trad. Ana Luíza Reis Bedê. São Paulo: Martim Cererê, 2017. p. 36)
Monstro, não tens a minha religião, então não tens religião nenhuma.
A frase acima segue correta e explicita seu sentido coerente nesta outra forma:
- ASendo o monstro que és, não tens a minha religião e, portanto, nenhuma outra. (alternativa correta)
- BAinda és um monstro, porque não tens minha religião, visto que não tens nenhuma.
- CPor monstro que sejas, ao não teres religião, nenhuma religião virá a ter.
- DSe és um monstro, não terás minha religião, nem terás nenhuma outra.
- EMonstro, se não tens minha religião, é porque não tens religião alguma.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A reescrita de frases (paráfrase) busca expressar a mesma ideia de um texto original, usando outras palavras, mas mantendo o sentido, a coesão (conexão lógica entre as partes) e a coerência (sentido global) intactos.
(A) Correta: A frase "Sendo o monstro que és, não tens a minha religião e, portanto, nenhuma outra" mantém o vocativo "Monstro" com a ideia de uma característica ("o monstro que és"), a afirmação de não ter "minha religião" e a consequência lógica ("então não tens religião nenhuma") expressa por "e, portanto, nenhuma outra". A relação de causa e efeito (ou premissa e conclusão) é preservada.
(B) Incorreta: A alternativa inverte a relação de causa e consequência. O original afirma que não ter "minha religião" implica não ter religião alguma. Esta alternativa sugere que "não ter nenhuma religião" é a causa para não ter "minha religião", o que altera o sentido lógico.
(C) Incorreta: A expressão "Por monstro que sejas" introduz uma concessão ("mesmo que sejas um monstro"), mudando a natureza da afirmação. Além disso, "nenhuma religião virá a ter" altera o tempo verbal (futuro em vez de presente) e a certeza da declaração.
(D) Incorreta: A construção "Se és um monstro" introduz uma condição, enquanto o original é uma afirmação direta. O uso do futuro ("não terás", "nem terás") também modifica o tempo verbal da frase original (presente).
(E) Incorreta: A frase "se não tens minha religião, é porque não tens religião alguma" estabelece uma relação de causa diferente. No original, a falta da "minha religião" leva à conclusão de não ter religião alguma. Aqui, a falta de "minha religião" é explicada pela falta de religião alguma, invertendo a lógica do argumento original.
Fonte: FCC TRT7 2024 Conhecimentos Comuns (Analista TRT7 2024) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.