Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT6 2018 (nº 11)
Em um trabalho de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, defende-se a ideia de que em nossos dias há o enaltecimento de uma cultura global, a cultura-mundo, que, apoiando-se no apagamento das fronteiras, cria denominadores culturais dos quais participam sociedades e indivíduos, apesar das diferentes tradições, crenças e línguas que lhes são próprias.
Embora seja um estudo perspicaz, algumas afirmações me parecem discutíveis. Uma que se diria pouco procedente consiste em supor-se que, em vista de milhões de turistas visitarem locais como a Acrópole e os anfiteatros gregos da Sicília, a cultura não perdeu valor em nosso tempo. Mas as visitas de multidões a grandes museus e monumentos históricos não representam um interesse genuíno pela "alta cultura" (assim a chamam), visto que isso faz parte da obrigação do turista. Em vez de despertar seu interesse pelo passado e pela arte, exonera-o de conhecê-los a fundo. Essas visitas dos turistas "em busca de distrações" desnaturam o significado real desses museus e monumentos.
Um estudo recente do sociólogo Frédéric Martel mostra que tal "cultura-mundo" de que falavam Lipovetsky e Serroy já ficou para trás, defasada pela voragem de nosso tempo.
As reportagens e os testemunhos coligidos por Martel são representativos de uma realidade que a sociologia e a filosofia ainda não tinham se atrevido a reconhecer. A maioria das pessoas não consome hoje outra forma de cultura que não seja aquela que, antes, era considerada passatempo, sem parentesco com as atividades intelectuais e artísticas que constituíam a cultura. O autor vê com simpatia essa transformação, porque, graças a ela, a cultura do grande público arrebatou a vida cultural à pequena minoria, que antes a monopolizava.
A diferença essencial entre a cultura do passado e o entretenimento de hoje é que os produtos daquela pretendiam transcender o tempo presente, ao passo que os produtos deste são fabricados para serem consumidos no momento e desaparecer.
Para essa nova cultura são essenciais a produção industrial maciça e o sucesso comercial. A distinção entre preço e valor se apagou. É bom o que tem sucesso; mau o que não conquista o público. O único valor existente é agora o fixado pelo mercado.
... dos quais participam sociedades e indivíduos, apesar das diferentes tradições, crenças e línguas que lhes são próprias. (1º parágrafo)
No contexto, o segmento sublinhado acima pode ser corretamente substituído por:
- Aapropriados a elas.
- Bpeculiares a eles. (alternativa correta)
- Càs quais são peculiares a eles.
- Das quais são apropriadas a elas.
- Eà que a eles são apropriadas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é a concordância nominal e pronominal, que trata da harmonia entre as palavras em uma frase, garantindo que adjetivos e pronomes concordem em gênero e número com os termos a que se referem.
- A) Incorreta: O adjetivo "apropriados" está no masculino plural, mas deveria concordar em gênero com "tradições, crenças e línguas", que são femininas plurais (portanto, "apropriadas"). Além disso, "a elas" restringe o referente a um grupo feminino, enquanto "lhes" (que se refere a "sociedades e indivíduos") abrange ambos os gêneros.
- B) Correta: O adjetivo "peculiares" está no plural e é adequado para concordar com "tradições, crenças e línguas" (feminino plural). A expressão "a eles" substitui corretamente o pronome "lhes", que se refere a "sociedades e indivíduos" (um grupo misto ou geral, para o qual o masculino plural é o termo genérico).
- C) Incorreta: A construção "às quais são peculiares a eles" altera a estrutura sintática e o sentido original. "Às quais" faria o papel de objeto indireto, e a frase ficaria sem um sujeito claro para "são peculiares", além de criar uma redundância.
- D) Incorreta: Esta é a alternativa mais tentadora. Embora "as quais são apropriadas" esteja correto em gênero e número com "tradições, crenças e línguas", o problema reside em "a elas". O pronome "lhes" no original refere-se a "sociedades e indivíduos". Como "indivíduos" é masculino, o pronome que engloba ambos os gêneros em português é o masculino plural ("a eles"), e não o feminino ("a elas").
- E) Incorreta: A expressão "à que" está no singular e é gramaticalmente incorreta para se referir a "tradições, crenças e línguas" (plural). A estrutura geral da frase também é confusa e inadequada.
Fonte: FCC TRT6 2018 Conhecimentos Comuns (Administrativa TRT6 2018) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.