Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT2 2025 (nº 2)

FCC2025Comum Área Administrativa TRT2 2025Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Compreensão do tempo histórico

Quando cada instante do tempo que vivemos está vazio, ele não pode ser estimulado por uma expectativa promissora, por uma esperança. No entanto, se ele está sobrecarregado a ponto de explodir, fervilhando com o peso de todos os momentos anteriores, ele não dispõe de capacidade de provisão necessária para se abrir positivamente. Existe uma tensão entre a antecipação e a realização, entre o vazio do momento atual e a expectativa de que a qualquer momento ele será preenchido satisfatoriamente.

Para quem só se alimenta da ideia do progresso, todos os momentos são desvalorizados pelo fato de que cada um deles não passa de um degrau para o seguinte, o presente sendo uma prancha que desembarca no futuro. Cada átimo de tempo é depreciado em relação a uma infinidade de átimos que ainda virão, numa espécie de visão do progresso eterno.

A perspectiva de eternidade progressiva priva a história humana de seu caráter dramático, nela não se consegue perceber que não são os sonhos de que seus netos sejam livres que estimulam os homens e as mulheres a se revoltar, mas as lembranças de seus antepassados oprimidos. É o passado que nos fornece os recursos para ter esperança, e não simplesmente a possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante. É assim que o filósofo alemão Ernst Bloch pode falar do "futuro ainda não cumprido no passado".

Devemos nos esforçar, portanto, para manter o passado inacabado, recusando-nos a aceitar sua aparência de encerramento como palavra final, abrindo-o novamente ao reescrever sua fatalidade aparente sob o signo da liberdade crítica.

(Adaptado de EAGLETON, Terry. Esperança sem otimismo. Trad. Fernando Santos, São Paulo: Editora Unesp, 2023, p. 49-50)


A formulação do tempo proposta por Ernst Bloch argumenta em favor da seguinte ideia do texto:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave aqui é que a esperança não vem de um futuro idealizado, mas sim da forma como interpretamos e recontamos o passado. Ernst Bloch sugere que o passado não está "fechado" e acabado, mas sim "inacabado", aberto a novas interpretações que nos dão força para o presente.

(A) Incorreta: Essa ideia se refere à dificuldade de o presente ser estimulado pela esperança quando está vazio ou sobrecarregado, não à formulação de Bloch sobre o passado.
(B) Incorreta: Essa alternativa descreve a visão de tempo focada no progresso contínuo, onde cada momento perde valor em relação ao futuro, o oposto do que Bloch defende.
(C) Incorreta: Essa metáfora do "presente como prancha" também ilustra a visão de tempo focada no progresso, onde o presente é apenas um meio para chegar ao futuro, o que Bloch critica.
(D) Incorreta: A "possibilidade teórica de um futuro um pouco mais gratificante" é justamente o que o texto, seguindo Bloch, contrapõe à verdadeira fonte de esperança, que é o passado reavaliado.
(E) Correta: A formulação de Ernst Bloch, conforme apresentada no texto, defende que devemos manter o passado "inacabado", recusando sua aparência de encerramento. Isso significa que o passado não é uma história finalizada, mas sim algo que podemos reinterpretar criticamente para encontrar recursos para a esperança, o que se alinha perfeitamente com a ideia de "recusar-se a aceitar sua aparência de encerramento". A armadilha da banca aqui é tentar te levar para ideias sobre o presente ou futuro, quando a pergunta foca na contribuição de Bloch, que é sobre a relação com o passado.

Fonte: FCC TRT2 2025 Conhecimentos Comuns (Área Administrativa TRT2 2025) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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