Questão nº 52
Questão de Medicina do Trabalho · FCC TRT18 2022 (nº 52)
Durante procedimento cirúrgico, sangue da paciente espirrou na pele íntegra do pescoço do médico do trabalho. Foram realizados teste rápido HIV, HBsAg, Anti-HBs e sorologia hepatite C no paciente fonte e no médico. Somente teve teste rápido HIV positivo para paciente fonte e todos os demais resultados foram não reagentes para ambos. O médico tinha duas doses de vacina de hepatite B. Nesse caso, a conduta para o médico (trabalhador) é:
- Afazer vacinação hepatite B. (alternativa correta)
- Bsomente acompanhar por 6 meses com as sorologias HIV, Hepatite B e C.
- Cfazer quimioprofilaxia para HIV e acompanhar por 6 meses a sorologia HIV.
- Dfazer quimioprofilaxia para HIV e acompanhar por 3 meses as sorologias HIV, Hepatite B e C.
- Esomente acompanhar a sorologia HIV, repetindo-a após 4 a 6 semanas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Quando há contato de sangue ou outros fluidos corporais com a pele íntegra (sem cortes ou lesões), o risco de transmissão de HIV, Hepatite B ou C é considerado negligenciável. Nesses casos, a profilaxia pós-exposição (PEP) e o acompanhamento sorológico geralmente não são indicados. No entanto, é fundamental que profissionais de saúde estejam totalmente imunizados contra a Hepatite B.
- (A) Correta: O médico recebeu apenas duas doses da vacina para Hepatite B e seu exame Anti-HBs (que indica proteção) foi não reagente, o que significa que ele não está imune. Mesmo que o paciente fonte seja HBsAg não reagente (não tenha Hepatite B ativa), é crucial que o médico, como profissional de saúde, complete seu esquema vacinal para Hepatite B para garantir sua proteção em futuras exposições. Esta é a conduta mais adequada para a saúde ocupacional do trabalhador.
- (B) Incorreta: A exposição ocorreu em pele íntegra, o que confere risco desprezível de transmissão. Portanto, não há indicação de acompanhamento sorológico por 6 meses para HIV, Hepatite B ou C.
- (C) Incorreta: A quimioprofilaxia (PEP) para HIV não é indicada para exposição em pele íntegra, pois o risco de transmissão é considerado negligenciável.
- (D) Incorreta: Assim como na alternativa C, a quimioprofilaxia para HIV não é indicada para exposição em pele íntegra. O acompanhamento sorológico também não se justifica para este tipo de exposição.
- (E) Incorreta: Não há indicação de acompanhamento sorológico para HIV após exposição em pele íntegra, devido ao risco desprezível de transmissão. A armadilha da banca aqui é focar no paciente HIV positivo, levando o aluno a pensar em profilaxia ou acompanhamento para HIV, ignorando o detalhe crucial da "pele íntegra" que anula o risco de transmissão para esse tipo de exposição.
Fonte: FCC TRT18 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Medicina do Trabalho (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.