Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 8)
Muitos e muitos anos atrás, antes do asfalto, quando a rodovia Fernão Dias ou era um mar de pó ou um mar de lama, as viagens eram aventuras. Eu morava no interior de Minas e o jeito de vir a Campinas para ver a namorada era arranjar carona em algum caminhão. Pois foi numa destas vezes que o motorista, delicadamente, para início de uma conversa que prometia ser muito longa, me perguntou: "E o que é que você faz?" Eu poderia ter dito simplesmente: "Sou professor". Isto ele entenderia perfeitamente, pois já havia frequentado escolas, sabia muitas coisas sobre professores, e passaria então a contar de suas proezas na aritmética e suas dificuldades com a língua pátria. Mas eu, tolo, e para dar um ar de importância, respondi: "Sou professor de filosofia..." O rosto do motorista se iluminou num largo sorriso. "Até que enfim", ele disse. "Faz anos que eu quero saber o que é filosofia e até hoje não encontrei ninguém que me explique. Mas hoje tenho a sorte de ter um professor de filosofia como companheiro de viagem. Afinal de contas, o que é filosofia?"
Não tenho memória alguma do que lhe disse como inútil explicação.
(ALVES, Rubens. O retorno e terno. Papirus, Campinas, 2010)
Infere-se do texto que o cronista, ao conversar com o motorista de caminhão, arrependeu-se de ter agido com certa
- Aastúcia.
- Bhumildade.
- Cnegligência.
- Darrogância. (alternativa correta)
- Ecautela.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A inferência é a capacidade de deduzir informações que não estão explícitas no texto, mas que podem ser concluídas a partir das pistas e do contexto fornecidos. O cronista se arrepende de ter agido de uma forma que ele mesmo descreve como "tolo" e motivada por "dar um ar de importância".
- (A) Incorreta: Ações astutas são inteligentes ou perspicazes; o cronista se autoavaliou como "tolo" por sua escolha, e ela o colocou em uma situação difícil, não vantajosa.
- (B) Incorreta: Humildade é o oposto do que o cronista buscou, pois ele queria "dar um ar de importância".
- (C) Incorreta: Negligência implica falta de cuidado ou atenção; a escolha do cronista foi intencional, embora equivocada, e não por descuido.
- (D) Correta: O cronista afirma que agiu "para dar um ar de importância", e se chama de "tolo" por isso. Essa busca por se mostrar superior ou mais importante do que o necessário é uma manifestação de arrogância ou vaidade, da qual ele se arrepende ao se ver em apuros para explicar a filosofia.
- (E) Incorreta: Cautela é agir com prudência e cuidado; a atitude do cronista foi impulsiva e motivada pela vaidade, sem considerar as consequências.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.