Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 4)
Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente obsoletas: "Hoje, empresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes não precisam se contentar com modelos errados. Na verdade, elas não precisam mais se contentar com modelos". A psicologia ou sociologia orientada por dados torna possível prever e controlar com precisão o comportamento humano. As teorias estão sendo substituídas por dados diretos.
O Big Data, na verdade, não explica nada. Apenas revela correlações entre as coisas. Mas as correlações são a forma mais primitiva de conhecimento. Nada é compreendido nas correlações. O Big Data não é capaz de explicar por que as coisas se comportam da maneira como se comportam. Não são estabelecidas conexões causais nem conceituais.
A teoria como narração cria uma ordem de coisas, relacionando-as umas com as outras e explicando por que elas se comportam da maneira como se comportam. Em contraste com o Big Data, ela nos oferece a forma mais elevada de conhecimento, qual seja, a compreensão. O Big Data, por outro lado, é totalmente aberto.
A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as torna, com isso, apreensíveis. O fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito. A inteligência artificial funciona muito bem sem o conceito. Inteligência não é espírito. Somente o espírito é capaz de uma nova ordem das coisas, de uma nova narração. A inteligência calcula. O espírito, todavia, narra. Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia. Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.
A inteligência artificial não pode pensar porque não pode se apaixonar, porque não é capaz de uma narração apaixonada. Os diálogos de Platão já deixam claro que a filosofia é uma narração. A filosofia como ciência renega seu caráter narrativo originário. Ela se priva de sua linguagem. Emudece. Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim. No instante em que a filosofia reivindica ser uma ciência, ser uma ciência exata, seu declínio começa.
(HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Trad. Daniel Guilhermino. Petrópolis: Editora Vozes, edição digital, 2023)
A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as torna, com isso, apreensíveis.
Considerado o contexto, a palavra sublinhada aproxima-se, pelo sentido, de:
- Aconsecutivas.
- Binalcançáveis.
- Cdesconectadas.
- Dassimiláveis. (alternativa correta)
- Eimperceptíveis.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Sinonímia é a relação entre palavras que possuem significados semelhantes ou idênticos, permitindo a substituição de uma pela outra em um determinado contexto sem alterar o sentido da frase.
- A) Incorreta: "Consecutivas" refere-se a algo que vem em sequência, uma após a outra, o que não se alinha com a ideia de compreensão ou organização conceitual.
- B) Incorreta: "Inalcançáveis" significa que não podem ser atingidas ou compreendidas, sendo o oposto do sentido de "apreensíveis".
- C) Incorreta: "Desconectadas" significa sem ligação ou relação, o que contradiz a ação da teoria de "prender as coisas em uma estrutura conceitual".
- D) Correta: "Assimiláveis" significa que podem ser assimiladas, ou seja, compreendidas, incorporadas ao conhecimento ou tornadas inteligíveis. A teoria, ao estruturar conceitualmente as coisas, as torna compreensíveis e, portanto, assimiláveis pela mente.
- E) Incorreta: "Imperceptíveis" significa que não podem ser percebidas ou notadas, sendo o oposto de "apreensíveis", que implica a capacidade de ser percebido ou compreendido.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.