Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 5)
Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente obsoletas: "Hoje, empresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes não precisam se contentar com modelos errados. Na verdade, elas não precisam mais se contentar com modelos". A psicologia ou sociologia orientada por dados torna possível prever e controlar com precisão o comportamento humano. As teorias estão sendo substituídas por dados diretos.
O Big Data, na verdade, não explica nada. Apenas revela correlações entre as coisas. Mas as correlações são a forma mais primitiva de conhecimento. Nada é compreendido nas correlações. O Big Data não é capaz de explicar por que as coisas se comportam da maneira como se comportam. Não são estabelecidas conexões causais nem conceituais.
A teoria como narração cria uma ordem de coisas, relacionando-as umas com as outras e explicando por que elas se comportam da maneira como se comportam. Em contraste com o Big Data, ela nos oferece a forma mais elevada de conhecimento, qual seja, a compreensão. O Big Data, por outro lado, é totalmente aberto.
A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as torna, com isso, apreensíveis. O fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito. A inteligência artificial funciona muito bem sem o conceito. Inteligência não é espírito. Somente o espírito é capaz de uma nova ordem das coisas, de uma nova narração. A inteligência calcula. O espírito, todavia, narra. Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia. Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.
A inteligência artificial não pode pensar porque não pode se apaixonar, porque não é capaz de uma narração apaixonada. Os diálogos de Platão já deixam claro que a filosofia é uma narração. A filosofia como ciência renega seu caráter narrativo originário. Ela se priva de sua linguagem. Emudece. Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim. No instante em que a filosofia reivindica ser uma ciência, ser uma ciência exata, seu declínio começa.
(HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Trad. Daniel Guilhermino. Petrópolis: Editora Vozes, edição digital, 2023)
Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim.
O pronome sublinhado refere-se, no contexto, ao termo:
- Anarração.
- Bfilosofia. (alternativa correta)
- Ccrise.
- Dfim.
- Elinguagem.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Pronomes como "lhe" são usados para substituir termos que funcionam como objeto indireto em uma frase, ou seja, o elemento que recebe a ação do verbo de forma indireta, geralmente introduzido pelas preposições "a" ou "para".
- (A) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere à "narração". A "narração" faz parte da descrição da crise ("crise da narração"), mas não é o alvo direto da ação de "pondo um fim" neste contexto. A crise da narração está afetando a filosofia.
- (B) Correta: O pronome "lhe" refere-se à filosofia. A frase completa, sem o pronome, seria "a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e pondo um fim à filosofia". O "lhe" substitui "à filosofia", que é o objeto indireto da ação de "pondo um fim".
- (C) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere à "crise". A "crise" é o sujeito da oração ("a atual crise da narração... está se apoderando... e pondo um fim"), e o pronome "lhe" substitui um objeto, não o sujeito.
- (D) Incorreta: O pronome "lhe" não se refere ao "fim". "Um fim" é o objeto direto da ação de "pondo" (pondo o quê? um fim). "Lhe" é um pronome oblíquo átono que substitui um objeto indireto.
- (E) Incorreta: Embora a "linguagem" seja mencionada no parágrafo, não há conexão sintática direta para que o pronome "lhe" se refira a ela nesta oração específica. O foco da ação de "pondo um fim" é a filosofia.
Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.