Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT15 2024 (nº 6)

FCC2024Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Em O fim da teoria, Chris Anderson afirma que quantidades inimagináveis de dados (o Big Data) tornariam as teorias completamente obsoletas: "Hoje, empresas que cresceram em uma era de dados massivamente abundantes não precisam se contentar com modelos errados. Na verdade, elas não precisam mais se contentar com modelos". A psicologia ou sociologia orientada por dados torna possível prever e controlar com precisão o comportamento humano. As teorias estão sendo substituídas por dados diretos.

O Big Data, na verdade, não explica nada. Apenas revela correlações entre as coisas. Mas as correlações são a forma mais primitiva de conhecimento. Nada é compreendido nas correlações. O Big Data não é capaz de explicar por que as coisas se comportam da maneira como se comportam. Não são estabelecidas conexões causais nem conceituais.

A teoria como narração cria uma ordem de coisas, relacionando-as umas com as outras e explicando por que elas se comportam da maneira como se comportam. Em contraste com o Big Data, ela nos oferece a forma mais elevada de conhecimento, qual seja, a compreensão. O Big Data, por outro lado, é totalmente aberto.

A teoria na forma de desfecho prende as coisas em uma estrutura conceitual e as torna, com isso, apreensíveis. O fim da teoria significa, em última instância, dizer adeus ao conceito como espírito. A inteligência artificial funciona muito bem sem o conceito. Inteligência não é espírito. Somente o espírito é capaz de uma nova ordem das coisas, de uma nova narração. A inteligência calcula. O espírito, todavia, narra. Em um mundo saturado de dados e informações, a capacidade de narrar se atrofia. Com isso, a construção de teorias se torna algo mais raro, até mesmo arriscado.

A inteligência artificial não pode pensar porque não pode se apaixonar, porque não é capaz de uma narração apaixonada. Os diálogos de Platão já deixam claro que a filosofia é uma narração. A filosofia como ciência renega seu caráter narrativo originário. Ela se priva de sua linguagem. Emudece. Assim, a atual crise da narração também está se apoderando da filosofia e lhe pondo um fim. No instante em que a filosofia reivindica ser uma ciência, ser uma ciência exata, seu declínio começa.

(HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Trad. Daniel Guilhermino. Petrópolis: Editora Vozes, edição digital, 2023)


O adjetivo formado a partir de um prefixo de negação está sublinhado em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Um prefixo de negação é um pequeno pedaço de palavra que se adiciona ao início de outra palavra para indicar o seu oposto, ou seja, ausência, falta ou negação do sentido original.

(A) Incorreta: A palavra "correlações" tem o prefixo "cor-", que significa "junto" ou "com", não negação.
(B) Incorreta: A palavra "obsoletas" não é formada por um prefixo de negação em português; "ob-" faz parte da raiz da palavra, que vem do latim obsoletus. A armadilha da banca aqui é que "ob-" pode parecer um prefixo, mas não tem função de negação neste caso e não forma a palavra a partir de uma base em português.
(C) Incorreta: A palavra "abundantes" não possui prefixo de negação; "ab-" faz parte da raiz da palavra.
(D) Incorreta: A palavra "instância" não possui prefixo de negação; é uma palavra de origem latina sem prefixo que indique negação.
(E) Correta: A palavra "inimagináveis" é formada pelo prefixo "in-" (que se transforma em "im-" antes de "m", "p" ou "b") adicionado à palavra "imagináveis". O prefixo "in-" neste caso tem o sentido de negação, significando "não imagináveis" ou "que não podem ser imaginados".

Fonte: FCC TRT15 2024 Técnico Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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