Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2025 (nº 7)

FCC2025Comum Analista Apoio TRF4 2025Língua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Sobre a tranquilidade da alma

Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


Ao valorizar positivamente o senso que cada um de nós deve ter de seus próprios limites, Sêneca não deixa de relativizar essa virtude, ao nos advertir:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A tranquilidade da alma, segundo Sêneca, vem de conhecer e respeitar os próprios limites, evitando ambições excessivas e desejos inatingíveis. No entanto, ele também nos alerta que nem tudo que parece seguro ou "próximo" é necessariamente bom, relativizando essa busca pela moderação.

  • (A) Incorreta: Esta frase descreve um benefício de diminuir a soberba, que é uma forma de reconhecer limites, mas não relativiza a virtude em si nem apresenta uma advertência sobre ela.
  • (B) Incorreta: Esta frase descreve a consequência negativa de não ter limites, reforçando a necessidade deles, e não uma relativização da virtude de tê-los.
  • (C) Incorreta: Esta é uma instrução que define a virtude de ter limites para os desejos, não uma relativização ou advertência sobre ela.
  • (D) Correta: Esta frase é uma advertência direta. O texto primeiro sugere seguir "as coisas próximas que favorecem nossa esperança" (que se alinha com a ideia de limites), mas imediatamente relativiza essa sugestão ao alertar que "essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs". É um aviso de que mesmo o que parece seguro e limitado pode ser enganoso.
  • (E) Incorreta: Esta é uma instrução para evitar a inveja e a ambição excessiva, reforçando a ideia de manter-se dentro dos próprios limites, e não uma relativização da virtude.

Fonte: FCC TRF4 2025 Conhecimentos Comuns (Analista Apoio TRF4 2025) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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