Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2025 (nº 6)

FCC2025Comum Analista Apoio TRF4 2025Língua Portuguesa
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Sobre a tranquilidade da alma

Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


Ao final do texto, Sêneca explica que seus preceitos se dirigem aos imperfeitos, medíocres e insensatos, porque acredita que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

O conceito-chave é que a tranquilidade da alma é alcançada através do autocontrole e do autoconhecimento, que permitem limitar desejos e ambições. Os preceitos de Sêneca visam ensinar essas virtudes àqueles que ainda não as possuem.

(A) Correta: O texto afirma que o sábio "tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos" e "aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu." Isso significa que o sábio já compreende e aplica a ideia de limitação e discernimento internamente, não precisando das instruções externas.
(B) Incorreta: O texto, na verdade, aconselha a limitar as ambições, não a crer que as coisas precárias devem se curvar a elas; isso contradiz a mensagem central.
(C) Incorreta: Embora os "imperfeitos" necessitem de orientação, o texto não foca em "ideais humanos" de forma genérica, mas em preceitos específicos de moderação e autocontrole.
(D) Incorreta: As virtudes apregoadas visam justamente a controlar e limitar a ambição, e não a valorizá-la; esta alternativa inverte o sentido da mensagem. A armadilha aqui é usar a palavra "ambição" de forma a confundir o leitor sobre a postura do texto em relação a ela.
(E) Incorreta: O texto se dirige aos "imperfeitos" justamente porque eles não renunciaram ou se conformaram sabiamente com as coisas vãs; eles são os que precisam aprender a fazê-lo.

Fonte: FCC TRF4 2025 Conhecimentos Comuns (Analista Apoio TRF4 2025) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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