Questão nº 3

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRF4 2025 (nº 3)

FCC2025Comum Analista Apoio TRF4 2025Língua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Escolha ética do sujeito

Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: “Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tornado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele.”

Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave “sucumbir” que nos vitima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e cristalizados em polarizações mecânicas.

Para Jung, o bem e o mal “constituem, juntamente, um todo paradoxal”. E continua: “o indivíduo [...] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade”. E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de “fatos”, antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos à ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da específica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o malefício fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.


A complexa e contraditória moral do homem pode ser deduzida da seguinte passagem do texto:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A "complexa e contraditória moral do homem" refere-se à ideia de que o bem e o mal não são conceitos simples e separados, mas sim elementos que coexistem e se interligam de forma paradoxal na experiência humana, gerando dilemas e desafios éticos.

  • (A) Incorreta: Esta alternativa descreve uma consequência ou um comportamento (a busca por conforto e simplificação) diante da complexidade moral, e não a natureza complexa e contraditória da moral em si. A armadilha aqui é que, embora seja um resultado da dificuldade em lidar com a moral complexa, não define a complexidade e contradição intrínsecas da moral.
  • (B) Incorreta: Similar à alternativa A, "nosso acatamento irrefletido de uma escolha" descreve uma atitude ou um problema ético (a falta de reflexão), mas não a natureza paradoxal da moral humana (a coexistência de bem e mal).
  • (C) Incorreta: Esta frase é uma advertência sobre os perigos de lidar com o mal, mas não expressa a ideia de que a moral humana é complexa e contraditória em sua essência, ou seja, que bem e mal formam um todo paradoxal.
  • (D) Incorreta: Esta alternativa descreve a condição ou o contexto em que a escolha ética é dificultada (valores já firmados), mas não a natureza intrínseca da moral como um sistema complexo e contraditório.
  • (E) Correta: Esta passagem de Jung afirma diretamente que "o bem e o mal 'constituem, juntamente, um todo paradoxal'". Essa declaração encapsula perfeitamente a ideia de uma moral "complexa e contraditória", pois sugere que esses dois opostos não são entidades separadas, mas sim partes de uma mesma totalidade, gerando uma natureza intrinsecamente paradoxal na moralidade humana.

Fonte: FCC TRF4 2025 Conhecimentos Comuns (Analista Apoio TRF4 2025) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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