Questão nº 33
Questão de Psiquiatria · FCC TJ-MA 2019 (nº 33)
P.R.S., 4 anos, sexo feminino, foi encaminhada para ser cuidada em uma instituição poucos meses depois do nascimento, após seus pais perderem sua guarda. Nesse local, há uma alta proporção de crianças por cuidador, além de mudanças repetidas de cuidadores, dificultando a formação de vínculos estáveis. P.R.S. passou a evoluir com um padrão de comportamento no qual aborda e interage com adultos desconhecidos, exibindo comportamento físico excessivamente familiar (não compatível com limites sociais culturalmente aceitos ou apropriados à idade), discrição reduzida em abordar e interagir com adultos desconhecidos, além de vontade de sair com um adulto estranho sem hesitação. A criança não apresenta dificuldades com atenção ou hiperatividade. De acordo com o DSM-5, a principal hipótese diagnóstica para o caso e a idade de desenvolvimento mínima requerida para que o transtorno seja considerado, levando-se em conta seus critérios diagnósticos, são, respectivamente:
- ATranstorno de apego reativo – 2 anos.
- BTranstorno de interação social desinibida – 9 meses. (alternativa correta)
- CTranstorno do espectro autista – 1 ano.
- DTranstorno de interação social desinibida – 2 anos.
- ETranstorno de apego reativo – 6 meses.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O Transtorno de Interação Social Desinibida (TISD) é um problema de comportamento em crianças que foram severamente negligenciadas, onde elas se aproximam e interagem de forma excessivamente familiar e sem cautela com adultos desconhecidos, como se fossem pessoas que já conhecem bem.
- (A) Incorreta: O Transtorno de Apego Reativo (TAR) se manifesta por um padrão de apego inibido e retraído, o oposto do comportamento descrito na criança, que é de interação desinibida. A idade mínima de 2 anos também está incorreta para o diagnóstico de TAR ou TISD.
- (B) Correta: O caso descreve perfeitamente o Transtorno de Interação Social Desinibida (TISD): a criança aborda e interage com adultos desconhecidos de forma excessivamente familiar, com discrição reduzida e vontade de sair com estranhos. A história de negligência social extrema (instituição com alta proporção criança/cuidador, mudanças de cuidadores) é o fator etiológico. De acordo com o DSM-5, a idade de desenvolvimento mínima requerida para o diagnóstico de TISD é de 9 meses.
- (C) Incorreta: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve déficits na comunicação social e interação, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, o que não se alinha com a descrição de familiaridade excessiva com estranhos. A idade de 1 ano não é a mínima para TISD.
- (D) Incorreta: Embora o diagnóstico de Transtorno de Interação Social Desinibida esteja correto para o caso, a idade mínima de 2 anos está incorreta. Armadilha da banca: Esta alternativa é o distrator mais tentador porque acerta o transtorno, mas erra a idade mínima específica do DSM-5, que é de 9 meses. É crucial conhecer os critérios exatos, incluindo a idade de desenvolvimento mínima.
- (E) Incorreta: O Transtorno de Apego Reativo (TAR) não se encaixa na descrição do comportamento da criança. A idade de 6 meses também está incorreta para o diagnóstico de TAR ou TISD.
Fonte: FCC TJ-MA 2019 Analista Judiciário - Psiquiatra (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.