Questão nº 44

Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2022 (nº 44)

FCC2022Professor B - Língua PortuguesaLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 41 a 47, baseie-se no texto abaixo.

A profecia de Frankenstein

Em 1818, Mary Shelley publicou Frankenstein, a história de um cientista que tenta criar um ser superior e, em vez disso, cria um monstro. Nos últimos dois séculos, essa história foi contada repetidas vezes em inúmeras variações, tornando-se o tema central de nossa nova mitologia científica. À primeira vista, a história de Frankenstein parece nos advertir de que, se tentarmos brincar de Deus e criar vida, seremos punidos severamente. Mas a história tem um significado mais profundo.

O mito de Frankenstein confronta o Homo sapiens com o fato de que os últimos dias deste estão se aproximando depressa. A não ser que alguma catástrofe nuclear ou ecológica intervenha, diz a história, o ritmo do desenvolvimento tecnológico logo levará à substituição do Homo sapiens por seres completamente diferentes que têm não só uma psique diferente como também mundos cognitivos e emocionais muito diferentes. Isso é algo que a maioria dos sapiens considera extremamente desconcertante. Gostaríamos de acreditar que, no futuro, pessoas exatamente como nós viajarão de planeta em planeta em espaçonaves velozes. Não gostamos de considerar a possibilidade de que, no futuro, seres com emoções e identidades como as nossas já não existam e que nosso lugar seja tomado por formas de vida estranhas cujas capacidades ofuscam as nossas.

De algum modo, encontramos conforto na fantasia de que o Dr. Frankenstein pode criar apenas monstros terríveis, a quem deveríamos destruir a fim de salvar o mundo. Gostamos de contar a história dessa maneira porque implica que somos os melhores de todos os seres, que nunca houve e nunca haverá algo melhor do que nós. Qualquer tentativa de nos melhorar inevitavelmente fracassará, porque, mesmo que nosso corpo possa ser aprimorado, não se pode tocar o espírito humano.

Teríamos dificuldade de engolir o fato de que os cientistas poderiam criar não só corpos, como também espíritos e de que os doutores Frankenstein do futuro poderiam, portanto, criar algo verdadeiramente superior a nós, algo que olhará para nós de modo tão condescendente quanto olhamos para os neandertais.

(HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 423-424)


Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 41, questão nº 42, questão nº 43, questão nº 45, questão nº 46, questão nº 47.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A equivalência semântica (ou paráfrase) ocorre quando uma ideia ou frase é reescrita com palavras diferentes, mas mantendo o mesmo sentido original. O objetivo é expressar a mesma mensagem de forma alternativa.

  • A) Incorreta: "A não ser que" indica uma condição ("exceto se"), enquanto "conquanto" expressa concessão ("embora"), alterando completamente a relação lógica. Além disso, "permeie" não é sinônimo de "intervenha".
  • B) Incorreta: "Frêmito" (tremor, excitação) não equivale a "ritmo" (velocidade, cadência). "Desenvoltura científica" (habilidade, facilidade) não tem o mesmo sentido de "desenvolvimento tecnológico" (progresso). E "suprimirá" (eliminará) não é sinônimo de "levará à substituição" (trocará por algo novo). Esta alternativa é a armadilha da banca, pois usa palavras que soam ou pertencem ao mesmo campo semântico, mas com significados distintos que alteram o sentido da frase original.
  • C) Incorreta: "Verossimilhança" (aparência de verdade) não tem relação com "conforto" (bem-estar) ou "fantasia" (imaginação, irrealidade). A substituição muda drasticamente o significado.
  • D) Incorreta: "Os melhores de todos os seres" (superlativo absoluto) não é perfeitamente equivalente a "mais avantajados que as demais criaturas" (comparativo de superioridade). Embora ambos indiquem superioridade, o grau e a forma são diferentes, não mantendo a exatidão semântica.
  • (E) Correta: "Olhará para nós" e "nos verá" são expressões sinônimas no contexto de percepção e observação. "De modo tão condescendente" significa com uma atitude de superioridade, tratando o outro como inferior. "Da mesma maneira complacente" pode ser interpretado, neste contexto, como uma atitude de autossatisfação e indulgência que decorre de uma percepção de superioridade, levando a uma forma de condescendência. Embora "complacente" não seja um sinônimo exato de "condescendente" em todos os contextos, na situação de um ser superior olhando para um inferior, a complacência pode manifestar-se como uma forma de condescendência ou tolerância advinda da própria superioridade, tornando a equivalência aceitável dentro das opções apresentadas.

Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Língua Portuguesa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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