Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2018 (nº 5)
Gramáticos e linguistas
Um linguista moderno sente-se tentado a desprezar um tanto seus antecessores, e sorrirá ao ler um gramático científico do século XIX. Entretanto, é à gramática tradicional que devemos esse enorme trabalho de análise que ainda serve de base às investigações modernas. A definição das partes da frase (sujeito, verbo, complemento etc.) e de suas relações, os quadros da flexão (declinação, conjugação etc.), a descrição dos diferentes gêneros de proposições (principais e subordinadas, discurso direto e indireto etc.), e muitas outras coisas dessa ordem, resultados alcançados pelo trabalho várias vezes centenário de um espírito lógico e analítico, são como pilares sobre os quais se assentará o edifício da linguística enquanto houver homens que dela se ocupem.
(Adaptado de: AUERBACH, Erich. Introdução aos estudos literários. Trad. de José Paulo Paes. São Paulo: Cosac Naify, 2015)
Para discriminar o que julga ter sido um enorme trabalho de análise, Auerbach
- Acontrapõe a esse esforço inglório dos gramáticos científicos do século XIX o sorriso complacente de um linguista moderno.
- Bjulga que tal empreitada deve muito de sua consistência aos alicerces do edifício analítico da ciência linguística contemporânea.
- Carrola algumas das operações analíticas dos gramáticos tradicionais, vistas como pilares para a edificação da linguística moderna. (alternativa correta)
- Dinventaria algumas operações da linguística moderna que acabaram por anular a base das gramáticas mais respeitáveis.
- Epromove detalhadamente uma equiparação entre os sérios estudos da gramática tradicional e os esboços analíticos da linguística.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: O texto diz que a gramática tradicional fez um trabalho enorme e útil, e que esse trabalho serve de base (como “pilares”) para a linguística moderna. Auerbach lista (arrola) esses feitos para mostrar o valor deles.
- (A) Incorreta: O texto não diz que o trabalho foi “inglório” nem que o linguista moderno “sorri” com desprezo; o sorriso é citado como uma tentação, mas logo o autor elogia o trabalho dos gramáticos.
- (B) Incorreta: A relação é inversa: a gramática tradicional é que serve de base (pilares) para a linguística moderna, e não o contrário.
- (C) Correta: O autor “arrola” (enumera) operações como “definição das partes da frase”, “quadros da flexão” e “descrição dos gêneros de proposições”, chamando-as de “pilares” do edifício da linguística.
- (D) Incorreta: A linguística moderna não “anula” a base das gramáticas; ela se assenta sobre essa base, que continua sendo respeitável.
- (E) Incorreta: Não há “equiparação” entre os dois; o texto afirma a superioridade da gramática tradicional como fundamento, e não uma igualdade de méritos.
Armadilha da banca (no distrator B): A pegadinha está na inversão da relação de dependência. A letra B diz que a empreitada (dos gramáticos) deve sua consistência aos alicerces da linguística contemporânea — mas o texto afirma exatamente o oposto: são os resultados dos gramáticos que servem de pilares para a linguística moderna. Quem lê rápido e confunde “edifício” com “gramática” cai na inversão.
Fonte: FCC SEDU-ES 2018 Conhecimentos Comuns (Professor B / Pedagogo) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.