Questão nº 1

Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2018 (nº 1)

FCC2018Comum Professor B / PedagogoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Comunicação e informação

Dizer mídia, sem mais nem menos, é uma abstração. O que conta são os jornalistas, as pessoas. E essas são boas ou más, inteligentes ou estúpidas, honestas ou desonestas, como toda a gente. O pior jornalista é aquele que se comporta como um camaleão, sempre preparado para mudar de cor conforme o ambiente. A lógica empresarial das tiragens e das audiências convida inevitavelmente ao sensacionalismo, à manobra rasteira, ao compadrio, aos pactos ocultos. Não há muita política nas colunas dos jornais, o que há é muitos políticos. Ambições, em vez de ideias. (...)

Quanto às matérias veiculadas, a superabundância de informação pode fazer do cidadão um ser muito mais ignorante. Explico-me: creio que as possibilidades tecnológicas para desenvolver a massificação das informações surgiram rapidamente demais. O cidadão não dispõe dos elementos e da formação adequados para saber escolher e selecionar, o que o leva a ficar perdido no meio dessa selva. É justamente nessa defasagem que se produz a instrumentalização em prejuízo do indivíduo e, portanto, a desinformação.

(Adaptado de: SARAMAGO, José. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 442-443)


A afirmação Dizer mídia, sem mais nem menos, é uma abstração logo se justifica, no primeiro parágrafo do texto, pelo fato de que, para o autor,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: O autor diz que "mídia" é uma abstração porque ela não existe como um ente único e impessoal; quem age, decide e produz conteúdo são as pessoas concretas (os jornalistas). Portanto, a qualidade da informação depende do caráter e da competência individual de cada profissional, não de uma entidade genérica chamada "mídia".

  • (A) Incorreta: O texto não discute a "sustentação elaborada" das ideias ou a "gravidade dos fatos"; ele foca na ação individual dos jornalistas e na lógica empresarial, não na qualidade intrínseca das matérias.
  • (B) Correta: O autor justifica a abstração ao afirmar que "o que conta são os jornalistas, as pessoas", e que essas têm qualidades ou vícios (boas/más, honestas/desonestas). Logo, o teor da matéria depende diretamente do perfil pessoal de quem a produz.
  • (C) Incorreta: A armadilha está em "equiparando assim todos os profissionais". O texto diz que a lógica empresarial convida ao sensacionalismo, mas não afirma que isso anula o personalismo do jornalista; pelo contrário, ele destaca que o pior é o "camaleão", ou seja, há diferenças individuais.
  • (D) Incorreta: O autor não diz que a política se torna abstrata na mídia; ele diz que "não há muita política nas colunas, o que há é muitos políticos" — ou seja, há interesses pessoais e ambições, não um vazio de ideias que torne a política abstrata.
  • (E) Incorreta: A alternativa inventa uma relação de causalidade não presente no texto: o autor menciona a "lógica empresarial" e "pactos ocultos", mas não afirma que os empresários contratam "profissionais servis" nem que a política atende "exclusivamente" aos interesses da empresa. É uma extrapolação.

Fonte: FCC SEDU-ES 2018 Conhecimentos Comuns (Professor B / Pedagogo) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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