Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2018 (nº 3)
Comunicação e informação
Dizer mídia, sem mais nem menos, é uma abstração. O que conta são os jornalistas, as pessoas. E essas são boas ou más, inteligentes ou estúpidas, honestas ou desonestas, como toda a gente. O pior jornalista é aquele que se comporta como um camaleão, sempre preparado para mudar de cor conforme o ambiente. A lógica empresarial das tiragens e das audiências convida inevitavelmente ao sensacionalismo, à manobra rasteira, ao compadrio, aos pactos ocultos. Não há muita política nas colunas dos jornais, o que há é muitos políticos. Ambições, em vez de ideias. (...)
Quanto às matérias veiculadas, a superabundância de informação pode fazer do cidadão um ser muito mais ignorante. Explico-me: creio que as possibilidades tecnológicas para desenvolver a massificação das informações surgiram rapidamente demais. O cidadão não dispõe dos elementos e da formação adequados para saber escolher e selecionar, o que o leva a ficar perdido no meio dessa selva. É justamente nessa defasagem que se produz a instrumentalização em prejuízo do indivíduo e, portanto, a desinformação.
(Adaptado de: SARAMAGO, José. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 442-443)
Considerada no contexto, uma passagem do texto recebeu nova, coerente e correta redação em:
- AO pior jornalista é aquele que se comporta como um camaleão / Torna-se aquele o pior jornalista, à medida em que se dispor a agir como um camaleão.
- BA lógica empresarial (...) convida inevitavelmente ao sensacionalismo / O sensacionalismo é inevitável, quando vai de encontro ao interesse empresarial.
- Ca superabundância de informação pode fazer do cidadão um ser muito mais ignorante / a ignorância de um cidadão pode advir de informações em cujas ocorra um excesso.
- DO cidadão não dispõe dos elementos e da formação adequados / Dada sua indisponibilidade, tais elementos de uma formação não adequa-se ao cidadão.
- EÉ justamente nessa defasagem que se produz a instrumentalização em prejuízo do indivíduo / É nesse descompasso que ocorre a manipulação, em detrimento do usuário. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Reescrita de textos exige que a nova redação mantenha o sentido original (equivalência semântica), a correção gramatical e a coerência, sem introduzir ideias novas ou distorcer o que foi dito. A pegadinha clássica é trocar palavras por sinônimos que parecem certos, mas mudam o significado ou quebram a norma culta.
- (A) Incorreta: A reescrita usa "à medida em que" (errado, o correto é "à medida que") e altera o sentido: o original diz que o jornalista se comporta como camaleão, e a nova versão diz que ele se dispõe a agir (mudança de ação para intenção).
- (B) Incorreta: A expressão "vai de encontro ao interesse empresarial" significa oposição (bater de frente), mas o original diz que a lógica empresarial convida ao sensacionalismo, ou seja, é a favor desse interesse. A troca inverte completamente o sentido.
- (C) Incorreta: A frase "em cujas ocorra um excesso" é gramaticalmente confusa e semanticamente distorcida. O original afirma que a superabundância (excesso) de informação causa ignorância; a reescrita diz que a ignorância pode vir de informações com excesso, invertendo a relação de causa e efeito.
- (D) Incorreta: Há erro de concordância ("não adequa-se" deveria ser "não se adequam") e a reescrita altera o sentido: o original diz que o cidadão não tem os elementos; a nova versão diz que os elementos estão indisponíveis, mudando o sujeito da ação.
- (E) Correta: A reescrita mantém o sentido original com precisão: "defasagem" (descompasso) e "instrumentalização" (manipulação) são sinônimos contextuais; "em prejuízo do indivíduo" equivale a "em detrimento do usuário". A frase é gramaticalmente correta e preserva a crítica do autor.
Fonte: FCC SEDU-ES 2018 Conhecimentos Comuns (Professor B / Pedagogo) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.