Questão nº 15
Questão de Língua Portuguesa · FCC PM-AP 2025 (nº 15)
[A força necessária dos princípios]
Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.
Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.
Diante das violências em curso, alguém dotado de um princípio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.
Agir por princípio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum princípio moral.
As ações comandadas por um bom princípio nos dizem que não temos de pensar se agir por princípio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por princípio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por princípio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.
(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)
É correta a flexão de todas as formas verbais na frase:
- AEle se vangloria dos momentos em que se dispora a agir segundo os melhores princípios.
- BCaso a situação não requisesse a adoção de um princípio ético, teria sido mais fácil perdoá-lo.
- CSe eles não intervirem de modo a resguardar seus princípios, melhor será que se abstenham.
- DAs provas de sua falta de princípios recomporam-se nessa última manifestação sua.
- ENo início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A flexão verbal é a modificação que os verbos sofrem para indicar a pessoa (quem faz a ação), o número (singular ou plural), o tempo (quando a ação ocorre) e o modo (a atitude do falante em relação à ação).
- (A) Incorreta: A forma correta do verbo "dispor" no pretérito perfeito do indicativo seria "dispôs" (ele dispôs) ou no futuro do subjuntivo seria "dispuser" (quando ele dispuser). "Dispora" é uma forma inexistente.
- (B) Incorreta: A forma correta do pretérito imperfeito do subjuntivo do verbo "requerer" é "requeresse", e não "requisesse". O verbo "requerer" mantém o 'e' no radical. Armadilha da banca: A forma "requisesse" é um erro muito comum, confundindo a conjugação de "requerer" com a de outros verbos irregulares.
- (C) Incorreta: A forma correta do futuro do subjuntivo do verbo "intervir" (derivado de "vir") é "intervierem", e não "intervirem".
- (D) Incorreta: A forma correta do pretérito perfeito do indicativo do verbo "recompor" (derivado de "pôr") é "recompuseram", e não "recomporam".
- (E) Correta: A forma "reouve" está corretamente flexionada no pretérito perfeito do indicativo do verbo "rehaver", que segue a conjugação de "haver" (ele houve, ele reouve).
Fonte: FCC PM-AP 2025 Oficial Combatente da Polícia Militar do Estado do Amapá (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.