Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 6)

FCC2019Comum Redator-RevisorLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.

Pensar e redigir

O aluno diz ao professor que está com “ótimas ideias” para fazer o trabalho, falta “apenas colocar no papel”. O rapaz acha que a passagem da boa ideia para a redação que a sustentará é fácil, ou mesmo automática. É como se o bom conteúdo imaginado garantisse por si mesmo a forma que melhor o expressará. Essa ilusão se desmancha logo na primeira frase: descobre-se que cada palavra empregada fixa-se inapelavelmente no papel, diz somente o que diz, e o mesmo acontece com a ordem das frases que vão chegando, tudo é inapelável, e se apresenta longe de corresponder às “ótimas ideias”.

Não é o caso de desanimar, mas de aprender que é longo o caminho que vai da ideia solta e criativa ao necessário determinismo das palavras. Aprende-se com isso o limite que é nosso, a fronteira onde se detém nossa capacidade de expressão. Esse aprendizado sofrido não deixa de ser um ganho: faz-nos querer alargar os domínios da nossa capacidade expressiva.

Sendo um limite, na sua compulsória particularização de sentido, toda linguagem é também a garantia de alguma forma conquistada; ainda que modesta no alcance, essa forma é mais do que o silêncio que a precedia. O que nos limita é também o que nos define: é o que nos diz nossa linguagem, no espelho da página em que se projeta.

(CRUZ, Aníbal Tolentino, inédito)


Está plenamente adequada a correlação entre os tempos e modos verbais na frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 5.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em uma frase ou período, garantindo que a sequência das ações e a relação lógica entre elas sejam expressas corretamente. É como encaixar as peças de um quebra-cabeça temporal e de sentido.

(A) Incorreta: A oração condicional "Não houvesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) pede uma consequência no futuro do pretérito ("poder-se-ia evitar"), e não no presente do indicativo ("pode-se evitar").
(B) Incorreta: A sequência temporal está inadequada. "Deixarão de ocorrer" (futuro do presente) não se correlaciona bem com "viéssemos a ter" (pretérito imperfeito do subjuntivo) e "implicavam" (pretérito imperfeito do indicativo). O correto seria "não implicariam" para manter a hipótese.
(C) Correta: A expressão "Tão logo" introduz uma oração com sentido de futuro, usando o presente do subjuntivo ("desconfiemos"). A oração principal "já não seremos" (futuro do presente) expressa a consequência futura dessa condição. O verbo "impõe" (presente do indicativo) descreve uma verdade atemporal ou presente. A correlação entre a condição futura e a consequência futura está perfeita.
(D) Incorreta: A oração condicional "Uma vez que estivéssemos" (pretérito imperfeito do subjuntivo) exige uma consequência no futuro do pretérito ("passaríamos"), e não no futuro do presente ("passaremos").
(E) Incorreta: A mistura de "Assim que ele percebesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo, indicando uma hipótese ou ação não concretizada) com a pergunta no pretérito perfeito do indicativo "por que não reviu suas pretensões?" (indicando um fato passado) quebra a correlação. Se fosse uma hipótese, a pergunta seria "por que não reveria?". Se fosse um fato, a condição seria "Assim que ele percebeu...".

Fonte: FCC CMFOR 2019 Conhecimentos Comuns (Redator-Revisor) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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