Questão nº 11

Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 11)

FCC2018T38 - Técnico Legislativo - Técnico LegislativoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

Um leão, que jazia doente em uma caverna, disse à estimada raposa, com quem mantinha convívio: "Se você me quer vivo e saudável, ludibrie com palavras a maior corça que vive na floresta, faça com que ela venha às minhas mãos, pois ela tem um coração e entranhas que despertam o meu apetite". A raposa se foi e, ao encontrar a corça a saltitar na floresta, saudou-a efusivamente e, em seguida, lhe disse: "Vim trazer boas novas! Você sabe que o leão, nosso rei, é meu vizinho. Ele está doente, moribundo, e se pôs a considerar sobre qual dos animais iria sucedê-lo. O javali é sem juízo", afirmava ele, "o urso, balofo, a pantera, ranzinza, o tigre, fanfarrão. A corça é a mais digna da realeza, porque tem porte altivo, vida longa e um chifre que intimida as serpentes. Bom, mais delongas para quê? Por decisão dele, você assumirá o reinado! E eu, que recompensa vou ganhar por ter-lhe dado essa notícia em primeira mão? Vamos, prometa-me alguma coisa. Estou com pressa, não vá ele sentir a minha falta! Ele me tem como conselheira para tudo. Se você quer ouvir a mim, sou velha, meu conselho é que você venha também e aguarde junto do moribundo". Assim disse a raposa. Com essas palavras, a corça ficou toda cheia de si e foi à caverna, ignorando o que ia acontecer.

O leão, então, lançou impetuoso suas garras sobre ela, dilacerando-lhe somente as orelhas, pois a corça tratou de fugir rapidamente para a floresta. Enquanto a raposa dava murros porque havia feito esforços em vão, o leão gemia, entre fortes rugidos, pois a fome e o desgosto o dominavam. Então ele suplicou à raposa que fizesse uma segunda tentativa para trazer a corça novamente, por meio de um ardil. "A tarefa que você me atribuiu é difícil e penosa. Contudo, vou lhe dar esse apoio", disse a raposa. Assim, como um cão farejador, saiu à procura da corça e foi tramando trapaças rumo à floresta, seguindo a indicação de uns pastores, a quem ela perguntou se tinham visto uma corça sangrando.

A raposa a encontrou esbaforida e parou diante dela com a maior cara de pau. Indignada, a corça arrepiou o pelo e disse: "Nunca mais você me pega, sua peste! E se chegar perto de mim, não sairá viva! Vá raposinhar com outros, inexperientes, estimulando-os a se tornarem reis!" A raposa rebateu: "Você é tão frágil e covarde assim, que desconfia de nós, seus amigos? O leão, quando agarrou sua orelha, ia dar conselhos e recomendações a respeito desse cargo tão importante, porque ele está morrendo! E você não tolerou nem mesmo um arranhão da pata de um enfermo! Agora a indignação dele é muito maior que a sua, e ele pretende tornar rei o lobo. Ai de mim, um senhor malvado! Mas venha, não se deixe sugestionar por nada, comporte-se como um cordeiro. Juro por todas as folhas e fontes que não sofrerá nenhum mal da parte do leão. Quanto a mim, quero apenas o seu bem".

Com tais ludíbrios, a raposa convenceu a medrosa a acompanhá-la uma segunda vez. E quando a corça adentrou a caverna, o leão agarrou a sua janta e se pôs a comer os ossos todos, o tutano e as entranhas. A raposa ficou parada, observando. Nisso cai o coração da corça e a raposa sorrateiramente o apanha e devora, como prêmio de seu empenho. E quando percebeu que o leão farejava todas as partes mas não achava o coração, ela, postada à distância, lhe disse: "A bem da verdade, essa fulana aí não tinha coração. Não adianta procurar! Que espécie de coração teria ela, que veio ter por duas vezes à morada e às mãos de um leão?"

(Esopo. Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Dezotti. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 309-311.)


A forma verbal destacada deve sua flexão ao termo sublinhado em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A concordância verbal é a regra gramatical que exige que o verbo se adapte em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito. Ou seja, o verbo "combina" com o sujeito da oração.

(A) Incorreta: O verbo "intimida" concorda com o sujeito "um chifre", e não com o termo sublinhado "corça".
(B) Incorreta: O verbo "mantinha" concorda com o sujeito "quem", que é um pronome relativo. Embora "quem" se refira à "raposa" (termo sublinhado), "raposa" não é o sujeito direto do verbo "mantinha", mas sim o antecedente do sujeito. A flexão do verbo é determinada por "quem".
(C) Incorreta: O verbo "saudou" tem como sujeito "A raposa" (implícito na oração anterior). O termo sublinhado "corça" é o objeto direto do verbo ("saudou-a"), não o sujeito.
(D) Correta: O verbo no tempo composto "havia feito" tem como sujeito "a raposa" (termo sublinhado). A flexão do verbo auxiliar "havia" (3ª pessoa do singular) está em perfeita concordância com "a raposa" (3ª pessoa do singular). A armadilha mais tentadora é a alternativa B, onde o termo sublinhado é o antecedente do sujeito, mas não o sujeito direto. Aqui, em D, o termo sublinhado é o próprio sujeito do verbo.
(E) Incorreta: O verbo "foi tramando" tem como sujeito "a raposa" (implícito pelo contexto da narrativa). O termo sublinhado "cão" faz parte de uma comparação ("como um cão farejador") e não é o sujeito do verbo.

Fonte: FCC CLDF 2018 T38 - Técnico Legislativo - Técnico Legislativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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