Questão nº 6

Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 6)

FCC2018T38 - Técnico Legislativo - Técnico LegislativoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓
  1. Sinto inveja dos contistas. Para mim, é mais fácil escrever um romance de 200 páginas que um conto de duas.

  2. Já se tentou explicar em fórmulas narrativas a diferença entre um conto, uma novela e um romance, mas o leitor, que não precisa de teoria, sabe exatamente o que é uma coisa ou outra assim que começa a ler; quando termina logo, é um conto. O critério do tamanho prossegue invencível.

  3. Para entender o gênero, criei arbitrariamente um ponto mínimo de partida, que considero o menor conto do mundo, uma síntese mortal de Dalton Trevisan: "Nunca me senti tão só, querida, como na tua companhia".

  4. Temos aí dois personagens, um diálogo implícito e uma intriga tensa que parece vir de longe e não acabar com o conto. Bem, por ser um gênero curto, o conto é também, por parecer fácil, uma perigosa porta aberta em que cabe tudo de cambulhada.

  5. Desde Machado de Assis, que colocou o gênero entre nós num patamar muito alto já no seu primeiro instante, a aparente facilidade do conto vem destroçando vocações.

  6. Além disso, há a maldição dos editores, refletindo uma suposta indiferença dos leitores: "conto não vende". Essa é uma questão comercial, não literária. Porque acabo de ler dois ótimos livros de contos que quebram qualquer preconceito eventual que se tenha contra o gênero.

  7. Os contos de A Cidade Dorme*, de Luiz Ruffato, que já havia demonstrado ser um mestre da história curta no excelente* Flores Artificiais*, formam uma espécie de painel do "Brasil profundo", a gigantesca classe média pobre que luta para sobreviver, espremida em todo canto do país entre os sonhos e a violência.*

  8. Em toda frase, sente-se o ouvido afinado da linguagem coloquial que transborda nossa cultura pelo arcaísmo de signos singelos: "Mas eu não queria ser torneiro-mecânico, queria mesmo era ser bancário, que nem o marido da minha professora, dona Aurora".

  9. O atávico país rural, com o seu inesgotável atraso, explode em todos os poros da cidade moderna.

  10. Já nos dez contos de Reserva Natural*, de Rodrigo Lacerda, que se estruturam classicamente como "intrigas", na melhor herança machadiana, o mesmo Brasil se desdobra em planos individuais; e o signo forte de "reserva natural" perde seu limite geográfico para ganhar a tensão da condição humana.*

  11. Como diz o narrador do conto "Sempre assim", "é tudo uma engrenagem muito maior".

(Adaptado de: TEZZA, Cristovão Disponível em: www1.folha.uol.com.br)


Está gramaticalmente correta a redação do seguinte comentário:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Concordância verbal é a regra que diz que o verbo (a ação na frase) deve sempre combinar em número (singular ou plural) e pessoa (quem faz a ação: eu, tu, ele, nós, vós, eles) com o seu sujeito (quem pratica ou sofre a ação). Se o sujeito é singular, o verbo fica no singular; se o sujeito é plural, o verbo fica no plural.

  • (A) Incorreta: O sujeito da oração é "Tezza", que está no singular. O verbo "consideram" está no plural. O correto seria "Tezza... considera".
  • (B) Incorreta: A construção "vê-se editores" está errada. Quando o "se" atua como partícula apassivadora e o sujeito paciente (quem é visto) está no plural ("editores"), o verbo deve concordar com ele. O correto seria "veem-se editores". A armadilha é a tendência de manter o verbo no singular com a partícula "se", ignorando a concordância com o sujeito paciente plural.
  • (C) Incorreta: A crase em "alheio à fórmulas narrativas" está empregada de forma incorreta. "Alheio a" pede a preposição "a". Como "fórmulas" é um substantivo feminino plural e não está determinado por um artigo feminino plural "as", não ocorre a crase. O correto seria "alheio a fórmulas narrativas" ou "alheio às fórmulas narrativas" (se houvesse o artigo).
  • (D) Incorreta: Há um erro de pontuação. A vírgula após "Dalton Trevisan" separa o sujeito ("o conto de Dalton Trevisan") do seu verbo ("foi escolhido"), o que é proibido pela norma culta da língua portuguesa.
  • (E) Correta: Todas as concordâncias verbais e nominais estão corretas, assim como a pontuação e a regência. "Luiz Ruffato" (singular) concorda com "consagrou-se" (singular). "Fenômeno" (singular) concorda com "repetiu" (singular).

Fonte: FCC CLDF 2018 T38 - Técnico Legislativo - Técnico Legislativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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