Questão nº 18

Questão de Língua Portuguesa · FCC BANRISUL 2018 (nº 18)

FCC2018EscriturárioLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

[Retratos fiéis]

Não sei por que motivo há de a gente desenhar tão objetivamente as coisas: o galho daquela árvore exatamente na sua inclinação de quarenta e três graus, o casaco daquele homem justamente com as ruguinhas que no momento apresenta, e o próprio retratado com todos seus pés-de-galinha minuciosamente contadinhos... Para isso já existe há muito tempo a fotografia, com a qual jamais poderemos competir em matéria de objetividade.

Se, para contrabalançar minhas lacunas, me houvesse Deus concedido o invejável dom da pintura, eu seria um pintor lírico (o adjetivo não é bem apropriado, mas vai esse mesmo enquanto não ocorrer outro). Quero dizer, o modelo serviria tão só do ponto de partida. O restante eu transfiguraria em conformidade com meu desejo de fantasia e poder de imaginação.

(Adaptado de: QUINTANA, Mário. Na volta da esquina. Porto Alegre: Globo, 1979, p. 88)


Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Para entender o conceito-chave, é preciso identificar a ideia principal que o autor expressa no texto, ou seja, qual é a sua opinião ou crítica sobre o tema abordado.

(A) Correta: O poeta Mário Quintana não demonstra admiração pelo excesso de fidedignidade com que alguns pintores desejam retratar as coisas.
O texto inicia com a pergunta retórica "Não sei por que motivo há de a gente desenhar tão objetivamente as coisas...", o que já indica sua falta de compreensão e, consequentemente, de admiração por essa abordagem. Ele reforça essa ideia ao afirmar que a fotografia já cumpre esse papel de objetividade, sugerindo que a pintura deveria ter outro propósito, como a "transfiguração" e a "fantasia".

(B) Incorreta: Trata-se de uma velha discussão, sobre se na arte da fotografia tem detalhes que nenhum pintor haverá de se sobrepor.
A alternativa apresenta problemas de redação ("tem detalhes", "haverá de se sobrepor") e distorce o foco do texto. O autor menciona a fotografia para contrastar sua objetividade com o que ele não deseja para a pintura, e não para iniciar uma "velha discussão" sobre a superioridade da fotografia em detalhes.

(C) Incorreta: Na antiguidade clássica, onde o intento da pintura realista prevalescia, mesmo assim ela não alcançava ser tão fotográfica.
O texto não faz nenhuma menção à antiguidade clássica ou à história da pintura realista, introduzindo informações que não estão presentes no trecho.

(D) Incorreta: Se lhe proviessem como um pintor lírico, caso Deus assim lhe favorecesse, o poeta Mário Quintana disporia-se a transfigurar o real.
Esta alternativa é o distrator mais tentador. Embora seja uma afirmação factual e correta sobre o que o autor faria se fosse um pintor lírico, ela não representa o "comentário" mais abrangente sobre o sentimento geral do texto. O texto começa criticando a objetividade e, em seguida, apresenta sua preferência. A alternativa A captura a crítica inicial e a falta de admiração que permeia a reflexão do autor sobre a pintura objetiva, que é o ponto de partida e o contraste para sua visão de uma pintura lírica. A alternativa D descreve apenas a consequência de sua preferência, não a crítica que a fundamenta.

(E) Incorreta: O poeta acredita de que seria capaz de criativas invenções, tendo por base alguma figura em cuja devesse representar com direito à essa liberdade.
A alternativa apresenta graves erros de regência e concordância verbal e nominal ("acredita de que", "em cuja devesse representar"), tornando a redação incorreta.

Fonte: FCC BANRISUL 2018 Escriturário (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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