Questão nº 46
Questão de Direito Administrativo · FCC ALAP 2019 (nº 46)
A Lei de Improbidade Administrativa, Lei nº 8.429, de 02/06/1992, estabelece um regime de responsabilidade aplicável aos agentes públicos que cometerem atos considerados ímprobos, ali qualificados em várias espécies. Torquato Mendes é Secretário Municipal de Educação e ordenador de despesa, tendo determinado a contratação de obra pública para a construção de creche, sem que houvesse previsão na respectiva legislação orçamentária. Nessa hipótese, conclui-se que
- Anão há como responsabilizar o Secretário Municipal, visto que tal regime de responsabilidade não se aplica aos agentes políticos.
- Bocorreu ato de improbidade administrativa, que causa prejuízo ao erário. (alternativa correta)
- Cnão ocorreu ato de improbidade, pois se trata de obra voltada ao atendimento de interesse público relevante.
- Docorreu ato de improbidade administrativa, que atenta contra os princípios da Administração pública.
- Eocorreu ato de improbidade administrativa, que importa enriquecimento ilícito.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A Lei de Improbidade Administrativa (LIA) pune agentes públicos que agem de forma ilegal ou desonesta, causando danos ao patrimônio público, enriquecendo ilicitamente ou violando princípios administrativos. Gastar dinheiro público sem previsão orçamentária é um exemplo claro de dano ao erário.
- (A) Incorreta: A Lei de Improbidade Administrativa se aplica, sim, aos agentes políticos, como Secretários Municipais. A jurisprudência e a própria lei (mesmo após as alterações de 2021) confirmam essa aplicação.
- (B) Correta: A conduta de ordenar a contratação de uma obra pública sem que haja previsão na legislação orçamentária configura ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário. Isso porque a despesa não autorizada legalmente representa um gasto indevido de recursos públicos, gerando perda patrimonial para a administração, conforme o Art. 10 da Lei nº 8.429/92.
- (C) Incorreta: (Armadilha da banca) O fato de a obra ser voltada ao interesse público (como uma creche) não justifica a ilegalidade do ato. A boa intenção não afasta a improbidade quando a conduta é ilegal e causa dano ao erário. A legalidade é um princípio fundamental da administração pública.
- (D) Incorreta: Embora a conduta também atente contra princípios da Administração Pública (como legalidade e planejamento orçamentário), a classificação mais específica e direta para a realização de despesa sem previsão orçamentária é a de ato que causa prejuízo ao erário, conforme o Art. 10 da LIA. O ato de improbidade por violação de princípios (Art. 11) é residual, aplicado quando a conduta não se enquadra nos artigos de enriquecimento ilícito ou prejuízo ao erário.
- (E) Incorreta: Não há qualquer indício na situação de que o Secretário Municipal obteve vantagem patrimonial indevida para si ou para outrem. O enriquecimento ilícito (Art. 9º da LIA) exige um benefício pessoal ou de terceiro decorrente do ato ímprobo, o que não foi descrito no caso.
Fonte: FCC ALAP 2019 Analista Legislativo - Técnico Legislativo (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.