Questão nº 26
Questão de Língua Portuguesa · FCC ALAP 2019 (nº 26)
Atenção: Para responder às questões de números 24 a 26, considere o texto a seguir:
O texto não deve ser entendido como um objeto computável. Seria vão tentar separar materialmente as obras dos textos. Em particular, não se deve ser levado a dizer: a obra é clássica, o texto é de vanguarda; não se trata de estabelecer, em nome da modernidade, um quadro de honra grosseiro e declarar certas produções literárias in e outras out em razão de sua situação cronológica: pode haver "Texto" numa obra muito antiga, e muitos produtos da literatura contemporânea não são em nada textos. A diferença é a seguinte: a obra é um fragmento de uma substância, ocupa alguma porção do espaço dos livros (por exemplo, numa biblioteca). Já o Texto é um campo metodológico. A oposição poderia lembrar (mas de modo algum reproduzir termo a termo) a distinção proposta por Lacan: a "realidade" se mostra, o "real" se demonstra; da mesma forma, a obra se vê (nas livrarias, nos fichários, nos programas de exame), o texto se demonstra, se fala segundo certas regras; a obra segura-se na mão, o texto mantém-se na linguagem: ele só existe tomado num discurso (ou melhor, é o Texto pelo fato mesmo de o saber); o Texto não é a decomposição da obra, é a obra que é a cauda imaginária do Texto. Ou ainda: só se prova o Texto num trabalho, numa produção. A consequência é que o Texto não pode parar (por exemplo, numa prateleira de biblioteca); o seu movimento constitutivo é a travessia (ele pode especialmente atravessar a obra, várias obras).
A concepção de texto apresentada no trecho é:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 24, questão nº 25.
- AA decomposição imaginária de uma obra, oposta à realidade definida por Lacan, quando conceituou o real.
- BO estudo metodológico das obras, organizadas cronologicamente das mais antigas às mais modernas.
- CO espaço discursivo em que metodologicamente algo pode ser demonstrado, cuja linguagem é constituída de travessias. (alternativa correta)
- DA vanguarda de tudo o que pode constar em uma biblioteca, podendo ser classificável e computável.
- EO fragmento presente na literatura moderna, por isso tudo aquilo que em determinado tempo é in.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A concepção de Texto, segundo o trecho, não se refere a um objeto físico ou a uma obra literária em si, mas sim a um campo de análise e produção de sentido que existe na linguagem e no discurso, sendo dinâmico e metodológico.
(A) Incorreta: O texto afirma explicitamente que "o Texto não é a decomposição da obra". A menção a Lacan serve como analogia para a distinção, não para uma oposição direta do Texto à "realidade" de Lacan.
(B) Incorreta: Embora o Texto seja um "campo metodológico", o trecho nega categoricamente que ele seja organizado cronologicamente, afirmando que "pode haver 'Texto' numa obra muito antiga, e muitos produtos da literatura contemporânea não são em nada textos".
(C) Correta: Esta alternativa sintetiza os pontos-chave da definição. O Texto é um "campo metodológico" onde "se demonstra" (o texto se demonstra, se fala segundo certas regras), existe "tomado num discurso" (espaço discursivo) e seu movimento constitutivo é a "travessia".
(D) Incorreta: O texto refuta a ideia de que o Texto seja "de vanguarda" em um sentido cronológico, e afirma que ele "não deve ser entendido como um objeto computável" e "não pode parar (por exemplo, numa prateleira de biblioteca)", o que contradiz a ideia de ser classificável ou constar em uma biblioteca como um objeto estático.
(E) Incorreta: O texto diferencia obra (fragmento de substância) de Texto, e explicitamente rejeita a ideia de que o Texto seja restrito à literatura moderna ou a tendências ("in"), podendo estar presente em obras antigas e ausente em produções contemporâneas.
Fonte: FCC ALAP 2019 Analista Legislativo - Técnico Legislativo (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.