Questão nº 38
Questão de Conhecimentos Bancários · CESGRANRIO BB 01/2021/001 (nº 38)
A revista inglesa The Economist publica periodicamente o famoso Índice do Big Mac, que consiste em avaliar os preços, em dólares, do conhecido sanduíche em diferentes países na economia global. Os resultados são frequentemente replicados pela imprensa internacional, incluindo a brasileira. A metodologia de apuração é simples: com base nas taxas de câmbio nominais das moedas nacionais em relação ao dólar, cotadas num mesmo dia, converte-se o preço do Big Mac avaliado nessas moedas para o seu respectivo valor em dólares.
Considerando-se que na edição de 12 de janeiro de 2021, os cálculos da The Economist mostravam que o preço, em dólares, do Big Mac no Brasil estava cerca de 30% mais barato do que o sanduíche similar vendido e cotado, também em dólares, nos Estados Unidos, o resultado indicava que o real brasileiro estava
- Avalorizado em relação ao dólar
- Bsobrevalorizado em relação ao dólar
- Csubvalorizado em relação ao dólar (alternativa correta)
- Dcom alinhamento nominal em relação ao dólar
- Ena paridade real do poder de compra em relação ao dólar
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave é o de taxa de câmbio real: ela compara o preço de uma cesta de bens (aqui, o Big Mac) entre dois países, já descontada a inflação e a taxa de câmbio nominal. Se o sanduíche brasileiro custa 30% menos em dólares do que o americano, significa que, com o mesmo dólar, você compra mais “coisas” no Brasil — ou seja, o real está “fraco” (desvalorizado) frente ao dólar, pois o poder de compra interno da moeda brasileira é maior do que o sugerido pela taxa de câmbio de mercado.
- (A) Incorreta: Valorizado seria o oposto: o Big Mac brasileiro custaria mais caro em dólares que o americano, indicando real “forte”.
- (B) Incorreta: Sobrevalorizada é quando a moeda está artificialmente cara (Big Mac brasileiro mais caro que o dos EUA), o que não é o caso.
- (C) Correta: O preço 30% menor em dólares indica que o real está subvalorizado (desvalorizado) em relação ao dólar, pois a paridade do poder de compra não se verifica — o câmbio nominal não reflete o custo real dos bens.
- (D) Incorreta: Alinhamento nominal significaria que a taxa de câmbio de mercado coincide com a taxa que igualaria os preços do Big Mac, o que não ocorre (há diferença de 30%).
- (E) Incorreta: Paridade real do poder de compra (PPC) ocorreria se os preços em dólar fossem iguais nos dois países — aqui há divergência, logo não há PPC.
Armadilha da banca: A pegadinha está em confundir “preço mais barato” com “moeda mais forte”. Muitos alunos pensam: “se o produto é mais barato, o real vale mais”. Mas o raciocínio correto é inverso: se o Big Mac brasileiro custa menos em dólares, é porque o real compra menos dólares do que deveria — logo, a moeda está desvalorizada (subvalorizada). A banca explora exatamente essa inversão intuitiva.
Fonte: CESGRANRIO BB 01/2021/001 Escriturário - Agente Comercial (Caderno Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.