Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO BB 01/2021/001 (nº 3)
Privacidade digital: quais são os limites
Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros usuários de internet, representando cerca de 69,8% da população com 10 anos ou mais. Ao redor do mundo, cerca de 4 bilhões de pessoas usam a rede mundial, sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo smartphone.
Nesse cenário, pensar em privacidade digital é (quase) utópico. Uma vez na rede, a informação está registrada para sempre: deixamos rastros que podem ser descobertos a qualquer momento.
Ainda assim, mesmo diante de tamanha exposição, essa é uma discussão que precisa ser feita. Ela é importante, inclusive, para trazer mais clareza e consciência para os usuários. Vale lembrar, por exemplo, que não são apenas as redes sociais que expõem as pessoas. Infelizmente, basta ter um endereço de e-mail para ser rastreado por diferentes empresas e provedores.
A questão central não se resume somente à política de privacidade das plataformas X ou Y, mas, sim, ao modo como cada sociedade vem paulatinamente estruturando a sua política de proteção de dados.
A segurança da informação já se transformou em uma área estratégica para qualquer tipo de empresa. Independentemente da demanda de armazenamento de dados de clientes, as organizações têm um universo de dados institucionais que precisam ser salvaguardados.
Estamos diante de uma realidade já configurada: a coleta de informações da internet não para, e esse é um caminho sem volta. Agora, a questão é: nós, clientes, estamos prontos e dispostos a definir o limite da privacidade digital? O interesse maior é nosso! Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor, se ele assim quiser? O conteúdo é realmente do usuário?
Se considerarmos a atmosfera das redes sociais, muito possivelmente não. Isso porque, embora muitas pessoas não saibam, a maioria das redes sociais prevê que, a partir do momento em que um conteúdo é postado, ele faz parte da rede e não é mais do usuário.
Daí a importância da conscientização. É preciso que tanto clientes como empresas busquem mais informação e conteúdo técnico sobre o tema. Às organizações, cabe o desafio de orientar seus clientes, já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os limites da privacidade digital.
Vivemos em uma época em que todo mundo pode falar permanentemente o que quer. Nesse contexto, a informação deixou de ser algo confiável e cabe a cada um de nós aprender a ler isso e se proteger. Precisamos de consciência, senso crítico, responsabilidade e cuidado para levar a internet a um outro nível. É fato que ela não é segura, a questão, então, é como usá-la de maneira mais inteligente e contribuir para fortalecer a privacidade digital? Essa é uma causa comum a todos os usuários da rede.
Disponível em: https://digitalks.com.br/artigos/privacidade-digital-quais-sao-os-limites. 7/04/2019. Acesso em: 3 fev. 2021. Adaptado.
O trecho em que a palavra destacada expressa uma opinião do autor é
- A"Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros" (parágrafo 1)
- B"Infelizmente, basta ter um endereço de e-mail para ser rastreado" (parágrafo 3) (alternativa correta)
- C"modo como cada sociedade vem paulatinamente estruturando a sua política" (parágrafo 4)
- D"Independentemente da demanda de armazenamento de dados de clientes" (parágrafo 5)
- E"época em que todo mundo pode falar permanentemente o que quer."(parágrafo 9)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: Modalização é o uso de palavras ou expressões para o autor demonstrar sua atitude, opinião ou sentimento em relação ao que está dizendo. Quando o autor escreve "infelizmente", ele está opinando que a situação de ser rastreado é algo negativo, ruim — isso é uma marca clara de subjetividade e julgamento pessoal.
- (A) Incorreta: "Atualmente" é um advérbio de tempo, apenas situa o leitor no momento presente, sem expressar qualquer juízo de valor ou opinião do autor.
- (B) Correta: "Infelizmente" é um advérbio modalizador que expressa claramente a opinião do autor de que é algo lamentável e negativo o fato de bastar um e-mail para ser rastreado — é a única alternativa com carga subjetiva explícita.
- (C) Incorreta: "Paulatinamente" significa "gradualmente, aos poucos" — é um advérbio de modo que descreve a forma como a política é estruturada, sem opinião ou sentimento do autor.
- (D) Incorreta: "Independentemente" é um advérbio que indica uma condição de desconsideração ou separação, funcionando como conectivo lógico, sem expressar opinião pessoal.
- (E) Incorreta: "Permanentemente" é um advérbio de tempo/frequência que indica continuidade, apenas descreve a duração da ação de falar, sem revelar a opinião do autor.
Armadilha da banca: O distrator mais tentador é a letra C, pois "paulatinamente" é uma palavra incomum e o aluno pode achar que ela carrega um tom opinativo. Mas ela é apenas um advérbio de modo descritivo — a banca conta com a confusão entre "palavra rara" e "palavra opinativa". Lembre-se: opinião exige julgamento de valor (bom/ruim, certo/errado, feliz/triste), e não apenas uma descrição de como algo acontece.
Fonte: CESGRANRIO BB 01/2021/001 Escriturário - Agente Comercial (Caderno Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.