Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · CESGRANRIO BB 01/2021/001 (nº 6)
Privacidade digital: quais são os limites
Atualmente, somos mais de 126,4 milhões de brasileiros usuários de internet, representando cerca de 69,8% da população com 10 anos ou mais. Ao redor do mundo, cerca de 4 bilhões de pessoas usam a rede mundial, sendo que 2,9 bilhões delas fazem isso pelo smartphone.
Nesse cenário, pensar em privacidade digital é (quase) utópico. Uma vez na rede, a informação está registrada para sempre: deixamos rastros que podem ser descobertos a qualquer momento.
Ainda assim, mesmo diante de tamanha exposição, essa é uma discussão que precisa ser feita. Ela é importante, inclusive, para trazer mais clareza e consciência para os usuários. Vale lembrar, por exemplo, que não são apenas as redes sociais que expõem as pessoas. Infelizmente, basta ter um endereço de e-mail para ser rastreado por diferentes empresas e provedores.
A questão central não se resume somente à política de privacidade das plataformas X ou Y, mas, sim, ao modo como cada sociedade vem paulatinamente estruturando a sua política de proteção de dados.
A segurança da informação já se transformou em uma área estratégica para qualquer tipo de empresa. Independentemente da demanda de armazenamento de dados de clientes, as organizações têm um universo de dados institucionais que precisam ser salvaguardados.
Estamos diante de uma realidade já configurada: a coleta de informações da internet não para, e esse é um caminho sem volta. Agora, a questão é: nós, clientes, estamos prontos e dispostos a definir o limite da privacidade digital? O interesse maior é nosso! Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor, se ele assim quiser? O conteúdo é realmente do usuário?
Se considerarmos a atmosfera das redes sociais, muito possivelmente não. Isso porque, embora muitas pessoas não saibam, a maioria das redes sociais prevê que, a partir do momento em que um conteúdo é postado, ele faz parte da rede e não é mais do usuário.
Daí a importância da conscientização. É preciso que tanto clientes como empresas busquem mais informação e conteúdo técnico sobre o tema. Às organizações, cabe o desafio de orientar seus clientes, já que, na maioria das vezes, eles não sabem quais são os limites da privacidade digital.
Vivemos em uma época em que todo mundo pode falar permanentemente o que quer. Nesse contexto, a informação deixou de ser algo confiável e cabe a cada um de nós aprender a ler isso e se proteger. Precisamos de consciência, senso crítico, responsabilidade e cuidado para levar a internet a um outro nível. É fato que ela não é segura, a questão, então, é como usá-la de maneira mais inteligente e contribuir para fortalecer a privacidade digital? Essa é uma causa comum a todos os usuários da rede.
Disponível em: https://digitalks.com.br/artigos/privacidade-digital-quais-sao-os-limites. 7/04/2019. Acesso em: 3 fev. 2021. Adaptado.
No trecho "Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumidor, se ele assim quiser?" (parágrafo 6), a forma verbal destacada expressa a noção de
- Adever
- Bcerteza
- Chipótese (alternativa correta)
- Dobrigação
- Enecessidade
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Modalização é o recurso que o autor usa para expressar seu ponto de vista sobre o próprio discurso, indicando se algo é certo, duvidoso, necessário, obrigatório, etc. A forma verbal "poderia" (futuro do pretérito) é um clássico marcador de hipótese, pois apresenta uma possibilidade que depende de uma condição ("se ele assim quiser").
- (A) Incorreta: "Dever" expressa uma obrigação moral ou lógica (ex.: "deveria ser dado"), o que não ocorre aqui, pois o autor apenas levanta uma possibilidade, não uma imposição.
- (B) Incorreta: "Certeza" seria marcada por verbos como "é", "será" ou "certamente", que indicam fato consumado. O "poderia" indica exatamente o oposto: incerteza e condição.
- (C) Correta: O "poderia" + "se ele assim quiser" constrói uma hipótese, uma situação imaginada que depende de uma condição. O autor não afirma que o limite será dado, apenas especula sobre essa possibilidade.
- (D) Incorreta: "Obrigação" é uma imposição externa (ex.: "deve ser dado"). O texto não impõe nada, apenas questiona uma possibilidade, o que afasta a ideia de obrigatoriedade.
- (E) Incorreta: "Necessidade" indica algo indispensável (ex.: "precisa ser dado"). O verbo "poderia" não expressa falta ou urgência, mas sim uma alternativa viável, não obrigatória.
Armadilha da banca: O distrator mais tentador é a letra (A) dever, pois muitos alunos confundem "poderia" com uma forma de "dever" (por causa do "ria" que lembra "deveria"). A pegadinha está em não perceber que "poderia" vem do verbo poder (capacidade/possibilidade), e não do verbo dever (obrigação). A presença da condição "se ele assim quiser" reforça que é uma mera suposição, não uma regra.
Fonte: CESGRANRIO BB 01/2021/001 Escriturário - Agente Comercial (Caderno Gabarito 1). Reproduzida para fins de estudo.