Questão nº 34
Questão de Auditoria · CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P2 Conhecimentos Complementares (nº 34)
Considere que o auditor tenha constatado que uma indústria ativara custos de ociosidade anormal no valor dos estoques de produtos em elaboração. Nessa situação, tal procedimento, sob a ótica da auditoria de custos e resultados, provocará
- Ainconsistência material apenas no fluxo de caixa das atividades.
- Bsubavaliação do ativo circulante e do lucro líquido do período.
- Csuperavaliação do ativo circulante e do lucro líquido do período. (alternativa correta)
- Delevação indevida do custo das mercadorias vendidas.
- Eredução da carga tributária por diferimento de despesas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave é que estoque é um ativo (dinheiro “preso” em produtos) e, na indústria, custos de produção (matéria-prima, mão de obra, custos indiretos) são “ativados” no balanço até o produto ser vendido. Quando há ociosidade anormal (ex.: fábrica parada por greve ou falta de matéria-prima), esses gastos não são custo de produção — são despesas do período (como aluguel e salário de administração). Se o auditor vê que a empresa ativou (jogou para o estoque) esses gastos, ela está escondendo despesas no ativo, o que infla o lucro (porque a despesa não foi lançada no resultado) e infla o ativo circulante (estoque maior do que o real).
- (A) Incorreta: O erro afeta o balanço patrimonial (ativo) e a DRE (lucro), não o fluxo de caixa — o caixa já saiu quando se pagou a ociosidade, independentemente de onde o gasto foi registrado.
- (B) Incorreta: A pegadinha da banca está aqui: muitos alunos pensam que “ativar custo” sempre reduz o lucro (porque “custo” soa como despesa). Mas, ao ativar a ociosidade, a despesa não vai para a DRE, então o lucro fica maior (superavaliado), e o estoque fica maior (superavaliado) — exatamente o oposto da letra B.
- (C) Correta: Ao ativar indevidamente a ociosidade, o estoque (ativo circulante) fica superavaliado (contém gastos que não são ativo) e o lucro do período fica superavaliado (porque a despesa foi adiada para quando o produto for vendido, empurrando o prejuízo para o futuro).
- (D) Incorreta: O CMV (custo das mercadorias vendidas) só será elevado no futuro, quando o estoque for vendido — no período atual, o CMV fica menor (porque parte do custo real foi “escondida” no estoque), o que também infla o lucro agora.
- (E) Incorreta: Não há “diferimento de despesas” tributário legítimo aqui; o que ocorre é um erro contábil que adianta o reconhecimento de despesa para o futuro, mas isso não reduz a carga tributária de forma válida — na verdade, se a auditoria ajustar, a empresa pagará mais imposto no período corrigido, mas a afirmação de “redução por diferimento” não é o efeito direto do erro descrito.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RN 2025 - P2 Conhecimentos Complementares Auditor Fiscal de Receitas Estaduais. Reproduzida para fins de estudo.