Questão nº 24

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS (nº 24)

CEBRASPE2025ComumLíngua Portuguesa

Em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, foi promulgada a atual Constituição Federal, a primeira a tratar da questão racial e a que tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível. Naquele ano de memória e avanço civilizatório, foi feita uma pequena pesquisa sobre racismo. Seus resultados mostravam um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que 97% dos entrevistados afirmavam não ter preconceito racial, 98% dos entrevistados diziam conhecer pessoas racistas e ter presenciado situações de discriminação racial. A melhor descrição da situação foi feita anos depois pela historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz: “A conclusão informal é de que todo brasileiro parece se sentir como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.”

Hoje, o debate sobre o racismo cresceu. As cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado. Tendem a ser cada vez menos numerosos os que acreditam na democracia racial e cada vez maior o número dos que sabem que o racismo deve ser extirpado.

Entretanto, a tendência de reconhecer mais o racismo não se repete em relação ao machismo. Todos reconhecem que há discriminação contra pretos e pardos, mas não contra as mulheres; todos reconhecem que há racismo, mas não reconhecem que há machismo — embora os mais jovens não se revelem machistas. Todas as gerações negam a discriminação contra as mulheres, apesar de a geração dos que nasceram no novo milênio ser a que menos percebe a discriminação de gênero, tanto mulheres quanto homens. No Brasil de hoje, há uma regra social implícita, segundo a qual ninguém pode deixar de reconhecer o racismo, mas a sociedade não reconhece a discriminação contra a mulher como relevante.

Julgue os próximos itens, relativos ao texto precedente.


No trecho “a primeira a tratar da questão racial e a que tornou o racismo crime” (primeiro período do texto), a conjunção “e” liga por adição duas orações adjetivas introduzidas pela preposição “a”.

Resposta comentada

O termo "a que" é um pronome demonstrativo (aquelas que) seguido de "que", não uma preposição "a" + oração adjetiva. Além disso, "a primeira a tratar" tem "a" como preposição ligando ao infinitivo, e não como preposição introduzindo oração adjetiva. A conjunção "e" liga, na verdade, dois adjetivos (ou termos de valor adjetivo) que qualificam "Constituição Federal": "a primeira a tratar..." e "a que tornou...".

  • Correta: Errado. O item diz que a conjunção "e" liga "duas orações adjetivas introduzidas pela preposição 'a'", mas o "a" de "a que" é pronome demonstrativo, não preposição, e o "a" de "a primeira a tratar" é preposição ligada ao infinitivo, não introdutora de oração adjetiva.

Como ficaria certo: A conjunção "e" liga dois termos de valor adjetivo que qualificam "Constituição Federal": "a primeira a tratar da questão racial" e "a que tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível".

Fonte: CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.

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