Questão nº 25

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS (nº 25)

CEBRASPE2025ComumLíngua Portuguesa

Em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, foi promulgada a atual Constituição Federal, a primeira a tratar da questão racial e a que tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível. Naquele ano de memória e avanço civilizatório, foi feita uma pequena pesquisa sobre racismo. Seus resultados mostravam um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que 97% dos entrevistados afirmavam não ter preconceito racial, 98% dos entrevistados diziam conhecer pessoas racistas e ter presenciado situações de discriminação racial. A melhor descrição da situação foi feita anos depois pela historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz: “A conclusão informal é de que todo brasileiro parece se sentir como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.”

Hoje, o debate sobre o racismo cresceu. As cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado. Tendem a ser cada vez menos numerosos os que acreditam na democracia racial e cada vez maior o número dos que sabem que o racismo deve ser extirpado.

Entretanto, a tendência de reconhecer mais o racismo não se repete em relação ao machismo. Todos reconhecem que há discriminação contra pretos e pardos, mas não contra as mulheres; todos reconhecem que há racismo, mas não reconhecem que há machismo — embora os mais jovens não se revelem machistas. Todas as gerações negam a discriminação contra as mulheres, apesar de a geração dos que nasceram no novo milênio ser a que menos percebe a discriminação de gênero, tanto mulheres quanto homens. No Brasil de hoje, há uma regra social implícita, segundo a qual ninguém pode deixar de reconhecer o racismo, mas a sociedade não reconhece a discriminação contra a mulher como relevante.

Julgue os próximos itens, relativos ao texto precedente.


No segundo período do segundo parágrafo, o sujeito da oração iniciada pela forma verbal “Tendem” classifica-se sintaticamente como indeterminado.

Resposta comentada

Sujeito indeterminado é aquele que existe, mas não se identifica quem pratica a ação — normalmente com verbos na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso ou com o "se" índice de indeterminação. Já o sujeito simples tem apenas um núcleo, mesmo que seja uma palavra no plural.

  • Correta: Errado. O sujeito de "Tendem" é "os que acreditam na democracia racial" — um sujeito simples, com núcleo explícito no próprio texto, e não indeterminado.

O item troca o conceito: o verbo está na 3ª pessoa do plural, o que parece indeterminação, mas o sujeito está claramente escrito logo depois — "os que acreditam na democracia racial". Basta perguntar ao verbo: quem tende? → "os que acreditam na democracia racial". Sujeito achado = sujeito simples (um só núcleo: "os"). A pegadinha é confundir concordância no plural com sujeito indeterminado.

Como ficaria certo: No segundo período do segundo parágrafo, o sujeito da oração iniciada pela forma verbal "Tendem" classifica-se sintaticamente como simples.

Fonte: CEBRASPE Câmara dos Deputados 2025 - NS Conhecimentos Comuns. Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho